Em todas as frases abaixo há o emprego de termos informais. Assinale aquela em que o termo sublinhado foi adequadamente substituído por um correspondente formal.
- A)“Os jornalistas só têm 50 perguntas que fazem em quaisquer circunstâncias. O diabo é que, se você der oportunidade, eles fazem todas elas”. (Gore Vidal) / O interessante.
Errada, porque "o diabo é que" significa algo como "o problema é que", e não "o interessante".
- B)“Pus o dinheiro no bolso, não sai mais. Sou velho, tenho de ter algum pé-de-meia”. (Amador Aguiar) / alguma compensação.
Errada, porque "pé-de-meia" quer dizer reserva de dinheiro, poupança, e não "alguma compensação".
- C)“Em um sistema democrático, todas as tendências políticas devem ter o direito de abrir a boca”. (Leônidas P. Gonçalves) / denunciar o que está errado.
Errada, porque "abrir a boca" aqui significa falar, expressar-se, e não denunciar o que está errado.
- D)“Quem é que vai desvirar o país, que está de cabeça para baixo”? (Fernando Lyra) / completamente falido.
Errada, porque "desvirar o país" sugere reorganizar ou colocar em ordem, e não "completamente falido".
- E)“O Estado brasileiro virou a casa da mãe Joana”. (FHC) / uma desordem.
Certa, porque "casa da mãe Joana" é expressão informal que significa desordem, bagunça, falta de controle.
Gabarito: E
A questão cobra a substituição de expressões informais por equivalentes formais, mantendo o sentido original da frase. Em prova, não basta trocar por qualquer palavra bonita: a substituição precisa preservar a ideia exata do trecho coloquial. Expressões idiomáticas como "pé-de-meia", "abrir a boca" e "casa da mãe Joana" têm sentido próprio, que não se resolve com tradução literal. A banca FGV gosta justamente dessa armadilha: ela troca o coloquial por um termo aparentemente formal, mas semanticamente deslocado. No item E, "virou a casa da mãe Joana" significa que algo virou bagunça, desordem, lugar sem controle. Por isso, a substituição por "uma desordem" mantém corretamente o sentido da expressão original. As demais opções escorregam porque o termo formal indicado não corresponde ao significado real da expressão sublinhada. Ou seja: o ponto central aqui é equivalência de sentido, não só formalidade vocabular.