“No Brasil daquela época – século XVIII –, auge da mineração, eram elevadíssimos os impostos cobrados pelo rei de Portugal, nosso avozinho, tão bonzinho...” Nesse segmento de um texto histórico, há a utilização de formas diminutivas; a opção abaixo em que o diminutivo foi empregado com a mesma finalidade, é:
- A)O livrinho de orações estava sobre a mesa de cabeceira;
Errada, porque “livrinho” está em sentido afetivo ou de tamanho reduzido, sem o tom irônico/depreciativo do enunciado.
- B)A garotinha tinha uma pequena boneca nos braços;
Errada, pois “garotinha” e “pequena” indicam tamanho/idade, não a mesma carga irônica do texto-base.
- C)O meu irmão é muito bonitinho;
Errada, já que “bonitinho” aqui expressa apreciação carinhosa, e não crítica ou zombaria.
- D)O gato fez a gracinha de sujar toda a sala;
Certa, porque “gracinha” é usado com valor irônico/depreciativo, exatamente como o diminutivo do enunciado.
- E)O bebê tinha um sorrisinho atraente.
Errada, porque “sorrisinho” sugere delicadeza ou simpatia, sem a mesma finalidade crítica do trecho inicial.
Gabarito: D
Na morfologia, o diminutivo nem sempre serve para indicar “coisa pequena”. Muitas vezes ele aparece com valor afetivo, irônico, depreciativo ou até eufemístico, isto é, para suavizar uma ideia ou dar um tom de crítica disfarçada. É aquela situação em que o sufixo faz mais trabalho de interpretação do que de tamanho. No trecho do enunciado, “avozinho” e “bonzinho” não querem dizer apenas que o rei era literalmente pequeno ou apenas simpático. Há um tom claramente irônico e, ao mesmo tempo, depreciativo, porque o texto histórico critica o monarca de forma indireta e zombeteira. O diminutivo, aqui, funciona como recurso expressivo, e não como indicação real de dimensão. Por isso, a alternativa correta é a D. Em “o gato fez a gracinha de sujar toda a sala”, o diminutivo em “gracinha” também não transmite ideia de tamanho. Ele tem valor irônico e pejorativo, sugerindo que a “travessura” do gato foi inconveniente, quase uma falsa delicadeza para algo irritante. É o mesmo mecanismo do texto-base: um diminutivo com tom de crítica divertida. Em provas da FGV, vale ficar atento a esse ponto: ela gosta de distinguir o diminutivo verdadeiro do diminutivo expressivo. Em português, esse uso é totalmente reconhecido pela gramática tradicional e pela estilística, especialmente em contextos de ironia, afetividade ou sarcasmo.