Entre os ditados a seguir, assinale aquele em que o vocábulo informal foi adequadamente substituído por um equivalente na linguagem formal.
- A)Fuja das fofocas e dos segredos como de um fantasma / intrigas.
Certa: “intrigas” é equivalente formal adequado a “fofocas e segredos” no contexto do ditado.
- B)Se os bocós voassem, nunca veríamos o sol / indolentes.
Errada: “indolentes” significa preguiçosos, mas não corresponde a “bocós”, que é um termo pejorativo de outro sentido.
- C)Uma bronca causa mais efeito no homem inteligente do que cem golpes no insensato / lamentação.
Errada: “lamentação” não substitui “insensato”, pois muda completamente a ideia do ditado.
- D)Cada um se vira como pode e alguns, como não podem / se revela.
Errada: “se revela” não equivale a “se vira como pode”, então a substituição não preserva o sentido.
- E)Cansado da vida doméstica, deixou tudo pra lá e se mandou / se mudou.
Errada: “se mudou” não corresponde a “se mandou” no sentido coloquial de ir embora abruptamente.
Gabarito: A
A questão trabalha com substituição vocabular: a banca quer saber se o termo informal foi trocado por um equivalente mais formal, sem mudar o sentido do ditado. Aqui, o segredo é perceber se a troca respeita não só o tom, mas também a ideia original da frase. Quando o substituto não combina com o contexto, a frase fica elegante na aparência, mas torta no sentido. No item A, “fofocas e segredos” foi substituído por “intrigas”, que é um vocábulo formal e adequado porque reúne bem a ideia de conversas maldosas, enredos e mexericos. O ditado fica com sentido preservado e com registro mais culto, exatamente o que a questão pede. Nas outras alternativas, a troca não funciona bem: ora o termo formal não equivale ao informal, ora muda o sentido do ditado, ora cria uma relação semântica sem encaixe. Em prova de interpretação, isso é clássico: não basta parecer sinônimo, tem que ser sinônimo de verdade no contexto. Em linguagem de concurso, vale lembrar o princípio básico da semântica contextual: o valor de uma palavra depende do uso na frase. A FGV adora testar essa atenção fina ao sentido, como quem diz: “não adianta vestir terno no verbo se a ideia continua de chinelo”.