Observe a seguinte frase: Felicidade é alguém para amar, algo para fazer e algo para aspirar. Assinale a observação adequada sobre a estruturação geral desse pensamento.
- A)a substituição adequada da forma reduzida “para amar” por uma forma desenvolvida teria como equivalente “para o amor”.
Errada, porque “para amar” não se desenvolve em “para o amor”, já que a forma correta manteria a relação verbal, e não uma troca por substantivo com valor diferente.
- B)o vocábulo “aspirar” pode ser substituído, mantendo-se o sentido original, por seu parônimo “respirar”.
Errada, porque “aspirar” não é sinônimo de “respirar” nesse contexto; o sentido é de desejar, almejar, e não de inalar ar.
- C)o vocábulo “amar” poderia ter seu sentido intensificado pelos verbos “gostar” ou “adorar”.
Errada, porque “gostar” e “adorar” não intensificam “amar” de modo neutro aqui; além disso, a alternativa trata de gradação sem respeitar o valor exato do enunciado.
- D)há um paralelismo nítido entre as três frases componentes.
Certa, porque os três membros da frase apresentam estrutura paralela, com construção equivalente e efeito de equilíbrio rítmico.
- E)o pensamento tem por finalidade definir o termo “felicidade” de forma objetiva.
Errada, porque o pensamento tem caráter aforístico e expressivo, não uma definição objetiva e técnica de felicidade.
Gabarito: D
A frase trabalha com uma ideia de definição poética, não científica: felicidade aparece como uma soma de três elementos, organizados em estrutura paralela. Repare que os trechos “alguém para amar”, “algo para fazer” e “algo para aspirar” seguem o mesmo molde sintático, com repetição de “para + verbo no infinitivo” ou de um núcleo equivalente. Isso cria ritmo, equilíbrio e reforço de sentido, bem ao estilo de frase de efeito. É exatamente por isso que o gabarito é a letra D. Há paralelismo nítido entre as três partes, isto é, uma construção sintática semelhante que dá simetria ao pensamento. Em questões da FGV, esse tipo de observação costuma ser central: a banca gosta de perceber se você enxerga a organização interna da frase, e não apenas o significado solto das palavras. As demais alternativas tentam confundir você com troca vocabular ou leitura semântica apressada. Mas aqui o foco não é só o sentido das palavras isoladas, e sim a relação entre as estruturas. Em linguagem de concurso: a frase não está “definindo” felicidade de modo objetivo, e sim montando uma formulação elegante e paralela, quase aforística. Então, guarde a ideia: quando três membros da frase têm forma semelhante e exercem função equivalente, há paralelismo. É o tipo de detalhe que a FGV adora usar para testar sua leitura fina do texto.