Entre os empregos do pretérito imperfeito do indicativo há um que expressa uma relação de cortesia, como no seguinte caso:
- A)Francisco tinha uma voz bonita;
Errada, porque “tinha” indica estado passado ou descrição de uma característica, sem valor de cortesia.
- B)Enquanto dormia, os ladrões roubaram a casa;
Errada, porque “dormia” marca ação em progresso no passado, em contraste com “roubaram”, e não polidez.
- C)Eu pensava em ir à escola hoje;
Errada, porque “pensava” expressa intenção ou cogitação passada, sem relação com tratamento cortês.
- D)Olhe onde estava a minha carteira;
Errada, porque “estava” apenas situa a carteira no passado, sem suavizar a fala.
- E)Boa tarde, o que queria?
Certa, porque “queria” aparece com valor de cortesia, atenuando a pergunta e tornando a abordagem mais educada.
Gabarito: E
O pretérito imperfeito do indicativo não serve só para indicar ação passada em curso ou habitual. Ele também pode aparecer com valor de cortesia, especialmente em pedidos, perguntas e ofertas, para deixar a fala mais suave e polida. Em vez de soar seco ou mandão, o verbo vem “de mansinho”, como quem bate na porta antes de entrar. É por isso que expressões como “eu queria”, “eu gostaria” e “o que você desejava?” são comuns em situações de atendimento e de educação linguística. Esse uso é descrito pela gramática tradicional como emprego modal do imperfeito, ligado à polidez, à atenuação da fala e à urbanidade no trato social. Na alternativa E, “Boa tarde, o que queria?”, o verbo “queria” está exatamente com esse valor de cortesia: em vez de perguntar de forma direta e brusca “o que quer?”, o falante suaviza a abordagem. A construção cria um efeito mais educado e respeitoso, típico de diálogo com cliente, paciente, passageiro ou interlocutor em situação formal. As outras opções trazem o imperfeito em seus valores mais comuns, como descrição, ação simultânea no passado ou intenção passada, mas não com a função de cortesia. Em prova da FGV, vale ficar atento a esse detalhe: a banca gosta de cobrar o imperfeito além do “passado inacabado”, explorando seus usos discursivos.