“Os médicos trabalham sem cessar para conservar a nossa saúde e os cozinheiros para destruí-la; os segundos estão certos do seu êxito.” Diderot Assinale a opção que apresenta uma inferência adequada retirada desse pensamento.
- A)Os cozinheiros não possuem conhecimentos de Medicina.
Errada, porque o texto não fala sobre conhecimento de Medicina, mas faz uma ironia sobre o efeito da comida na saúde.
- B)Os médicos são profissionais extremamente competentes.
Errada, porque o enunciado não elogia a competência dos médicos, apenas contrapõe o esforço deles ao efeito negativo atribuído aos cozinheiros.
- C)Os cozinheiros são mais admirados que os médicos.
Errada, porque não há comparação de admiração social entre médicos e cozinheiros no pensamento citado.
- D)Os cozinheiros mostram má intenção no que fazem.
Certa, porque a frase atribui aos cozinheiros uma ação que prejudica a saúde, sugerindo má intenção no que fazem.
- E)Os médicos devem indicar a alimentação natural.
Errada, porque o texto não orienta dieta nem prescreve alimentação natural; ele apenas constrói uma ironia sobre médicos e cozinheiros.
Gabarito: D
A questão pede uma inferência, isto é, uma conclusão lógica que você retira do texto sem estar escrita de forma direta. No pensamento de Diderot, há uma ironia clara: os médicos se esforçam para preservar a saúde, enquanto os cozinheiros, com suas tentações, acabam “destruindo-a”. Isso já revela uma crítica bem-humorada ao papel da alimentação na saúde. Perceba que a frase não está dizendo algo técnico sobre nutrição, nem comparando formação profissional. O foco é o efeito das ações dos cozinheiros, descritos de modo provocador como agentes que comprometem a saúde. Quando o enunciado fala em inferência adequada, você deve buscar a ideia implícita mais fiel ao tom do texto. Por isso, o gabarito é a letra D. Se o texto afirma que os cozinheiros trabalham para destruir a saúde, a conclusão natural é que eles agem com má intenção, ou pelo menos são apresentados ironicamente como se tivessem essa intenção. A banca da FGV gosta muito desse tipo de leitura: entender o subtexto, o sarcasmo e a crítica embutida na frase. Em prova, não caia na armadilha de transformar uma ironia literária em afirmação objetiva, como se o autor estivesse fazendo uma tese séria sobre medicina ou gastronomia. Aqui, a resposta correta nasce da interpretação do efeito de sentido do enunciado, não de conhecimento externo.