Muitos vocábulos são formados com o sufixo -vel, com o sentido de “possibilidade de praticar ou sofrer uma ação”. Assinale a frase abaixo em que a palavra formada com esse sufixo foi adequadamente explicada.
- A)Nunca me debruçara sobre o abismo do inexplicável / que pode ser explicado.
Errada: “inexplicável” não significa “que pode ser explicado”, mas justamente o contrário, “que não pode ser explicado”.
- B)Essa é uma resposta viável / que pode ser encaminhada.
Errada: “viável” significa “que pode ser realizado, executado ou que tem viabilidade”, não “que pode ser encaminhada”.
- C)Transportava produtos perecíveis / que deviam pagar impostos.
Errada: “perecíveis” são os produtos “que podem perecer” ou estragar, e não os que “deviam pagar impostos”.
- D)De longe, as frutas pareciam apetecíveis / que satisfazem o apetite.
Errada: “apetecíveis” quer dizer “que despertam apetite” ou “que podem ser apetecidos”, não “que satisfazem o apetite”.
- E)As urnas não são auditáveis / podem sofrer auditoria.
Certa: “auditáveis” significa “que podem sofrer auditoria”, preservando exatamente a ideia de possibilidade expressa pelo sufixo -vel.
Gabarito: E
O sufixo -vel costuma formar adjetivos com ideia de possibilidade, aptidão ou suscetibilidade de sofrer a ação do verbo de base. Em prova, a banca adora testar se voce reconhece esse sentido sem cair em “traduções criativas” demais. O caminho seguro é perguntar: “isso pode ser feito ou pode sofrer aquilo?”. Se a resposta for sim, a explicação está no rumo certo. Na alternativa correta, “auditáveis” vem de “auditar” e significa “que podem ser auditadas”, isto é, que estão sujeitas a auditoria. Perceba que a explicação preserva exatamente a ideia de possibilidade de sofrer a ação, que é o núcleo do sufixo -vel. Nada de inventar outro sentido: aqui a palavra nasceu bonitinha e com emprego direto. A FGV gosta de cobrar esse valor semântico com vocabulário variado: viável, perecível, legível, memorável, auditável. O padrão é o mesmo, embora a explicação adequada dependa do verbo de origem. Em termos doutrinários, trata-se de derivação sufixal, com formação de adjetivos a partir de verbos, trazendo noção de possibilidade passiva ou de aptidão. Então, a chave é simples: identifique o verbo-base e veja se a definição dada conserva a ideia de “pode ser + particípio/ação”. Em “auditar”, isso acontece perfeitamente. Por isso o gabarito está certo.