Observe agora o raciocínio a seguir. 1. Uma pesquisa mostra que os camelôs vendem mais barato; 2. A presença de camelôs na rua é conveniente. Esse raciocínio pode ser refutado porque:
- A)a premissa não é geralmente verdadeira;
Errada, porque o problema não é necessariamente a falta de verdade geral da premissa, mas o salto indevido até a conclusão.
- B)a conclusão nada tem a ver com a premissa;
Errada, porque há relação temática entre premissa e conclusão; o erro está em inferir mais do que a premissa permite.
- C)a conclusão deixa de considerar outros fatores;
Certa, pois a conclusão ignora outros fatores relevantes e faz uma passagem apressada do preço para a conveniência.
- D)a premissa se apoia em dados falsos;
Errada, porque o enunciado não afirma que a premissa seja falsa; a falha está na inferência, não na veracidade dos dados.
- E)a premissa e a conclusão não mostram relação lógica.
Errada, porque premissa e conclusão têm relação lógica aparente; o defeito é que essa relação é insuficiente para sustentar a conclusão.
Gabarito: C
A questão trabalha com raciocínio argumentativo, isto é, a forma como uma conclusão nasce de uma premissa. Aqui, a primeira informação diz apenas que os camelôs vendem mais barato. Isso, por si só, não autoriza concluir que a presença deles na rua é conveniente. Barato não é sinônimo automático de conveniente: você pode economizar e, ao mesmo tempo, ter problemas de organização urbana, fiscalização, segurança ou concorrência desleal. Perceba o salto lógico: a premissa fala de preço, mas a conclusão fala de conveniência pública. Entre uma coisa e outra, existem vários fatores intermediários que o raciocínio simplesmente ignora. Em lógica e em interpretação textual, esse tipo de erro é clássico: a conclusão até pode parecer plausível, mas não decorre necessariamente da premissa apresentada. Por isso o gabarito é a letra C. O raciocínio é refutado porque a conclusão deixa de considerar outros fatores relevantes. Em termos de argumentação, isso é uma falha de generalização ou de passagem indevida da evidência para uma conclusão mais ampla do que os dados sustentam. Na prova da FGV, fique atento a esse truque: a banca adora mostrar uma informação verdadeira ou razoável e, logo depois, puxar uma conclusão exagerada. O desafio é perceber que a conclusão precisa ser sustentada por todas as variáveis importantes, e não só por um pedaço da história.