Observe o seguinte pensamento de Heródoto, o pai da História: “Onde é necessária a astúcia, não há lugar para a força”. Um outro pensamento que expressa o mesmo significado, é:
- A)Onde a pele do leão não cobre é preciso costurar a da raposa;
Correta, porque expressa a mesma ideia de que, quando a força não resolve, a astúcia deve ser usada.
- B)Um príncipe deve tomar como exemplo a raposa e o leão, pois o leão não é capaz de se defender das armadilhas, assim como a raposa não sabe se defender dos lobos;
Errada, porque fala de prudência política e de exemplos de raposa e leão, mas não reproduz a equivalência entre astúcia e ausência de lugar para a força.
- C)O uso da força tem apenas um efeito temporário. Pode subjugar por certo tempo, mas não remove a necessidade de subjugar novamente;
Errada, porque discute o efeito temporário do uso da força, e não a necessidade de astúcia em vez de força.
- D)A violência não é força, mas fraqueza, nem poderá ser nunca criadora de coisa alguma, apenas destruidora;
Errada, porque critica a violência como fraqueza e destruição, tema diferente do contraste entre astúcia e força.
- E)A força bruta, quando não governada pela razão, desmorona sob o próprio peso.
Errada, porque trata da força bruta sem razão e de seu colapso, sem trazer a ideia de que a astúcia é necessária quando a força não serve.
Gabarito: A
A questão trabalha interpretação de provérbios e pensamentos equivalentes. Aqui, o ponto central é a oposição entre força bruta e astúcia: quando a situação exige inteligência, estratégia e adaptação, a força sozinha não resolve. Em prova da FGV, isso costuma aparecer como troca de uma frase conhecida por outra de sentido parecido, então o segredo é olhar a ideia, não a palavra bonita. No pensamento de Heródoto, a mensagem é clara: há momentos em que insistir na força é inútil, porque o problema pede esperteza, artifício ou solução indireta. É quase como tentar abrir um cadeado com músculo: pode até assustar o cadeado, mas não resolve. A alternativa A traduz exatamente essa lógica ao usar a imagem da raposa, símbolo clássico de astúcia. O enunciado fala de necessidade de astúcia onde a força não basta, e a alternativa diz que, onde a pele do leão não cobre, é preciso costurar a da raposa, ou seja, onde a força não alcança, entra a inteligência estratégica. As demais opções mudam o foco para crítica da violência, limitação temporária do poder ou descontrole da força, mas não repetem a ideia central de que a astúcia substitui a força quando a situação exige. Em interpretação, essa diferença de nuance derruba muita gente. Não há aqui fundamento legal ou jurisprudencial, porque a cobrança é de semântica e equivalência textual.