“A arte de interrogar não é tão fácil como se pensa. É mais uma arte de mestres do que discípulos; é preciso já ter aprendido muitas coisas para saber perguntar o que não se sabe.” A frase abaixo que mostra uma interrogação, ainda que indireta, é:
- A)Sei o porquê de ele ter chegado atrasado;
Errada, porque "o porquê" funciona como substantivo e indica causa, não uma interrogação indireta.
- B)Vi quando o táxi capotou;
Errada, porque "quando o táxi capotou" apenas complementa o verbo "vi", sem valor interrogativo.
- C)Desconheço onde ele mora;
Certa, porque "onde ele mora" expressa uma pergunta indireta, introduzida por "desconheço".
- D)Vi como ela fez isso;
Errada, porque "como ela fez isso" é só o conteúdo observado pelo verbo "vi", não uma interrogação indireta.
- E)Queria conhecer todas as respostas.
Errada, porque traz desejo ou intenção, mas nenhuma estrutura interrogativa direta ou indireta.
Gabarito: C
A questão cobra a diferença entre interrogação direta e indireta. Na direta, a pergunta aparece com ponto de interrogação e costuma vir em ordem mais evidente: "Onde ele mora?". Na indireta, a frase continua tendo valor de pergunta, mas dentro de outra estrutura, geralmente com verbos como "saber", "perguntar", "desconhecer", "ignorar" etc., sem o tom interrogativo explícito. Aqui, a sacada é perceber que não basta haver palavra interrogativa. Ela precisa estar funcionando como núcleo de uma pergunta indireta. É isso que acontece em "Desconheço onde ele mora": o verbo "desconheço" introduz a ideia de não saber algo, e a oração "onde ele mora" é justamente o conteúdo interrogativo embutido na frase. Em linguagem de concurso, isso aparece muito como oração subordinada substantiva interrogativa indireta. É aquele tipo de construção que parece afirmação, mas por dentro está escondendo uma pergunta. A gramática tradicional e as descrições mais usadas em sintaxe escolar tratam essa oração assim: o sentido é interrogativo, embora a forma não seja de pergunta direta. Por isso o gabarito é a letra C. As outras alternativas trazem apenas informações ou complementos de verbos, sem verdadeira interrogação indireta. A banca gosta desse truque: você vê um pronome ou advérbio interrogativo e já acha que caiu na pergunta, mas é preciso olhar a função sintática e o sentido global da oração.