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Português · FGV · 2022

Questão comentada de Português

O ato de descrever sofre uma série de limitações; no texto a seguir, por exemplo, o observador não pôde descrever com exatidão o animal que via. “O menino entrou no Zoológico, soltou-se da mão da mãe, e logo na primeira jaula viu um animal estranho: aproximou-se da grade e viu que ele possuía patas grandes e fortes na traseira, mas patas menores na parte dianteira ou superior e uma espécie de corte no pelo, na altura da barriga, onde havia um filhote”. Nesse caso, a descrição incompleta se deve:

Gabarito: C

Descrever parece simples, mas depende muito do que o observador percebe e, principalmente, do que ele sabe interpretar. Quando falta conhecimento sobre o objeto observado, a descrição fica meio torta: a pessoa até enxerga detalhes, mas não consegue identificar corretamente o que eles significam. É justamente o que acontece no enunciado: o menino vê patas, corte no pelo e um filhote, mas não reconhece que está diante de uma fêmea com cria, então a descrição sai incompleta porque ele não sabe interpretar os sinais que tem diante dos olhos. Perceba que não é um problema de visão, nem de distância, nem de psicologia. Ele está perto da grade, vê o animal, mas lê mal a cena. Em prova de interpretação, a banca gosta dessa diferença: ver não é o mesmo que compreender. O detalhe físico está lá; o que falta é repertório para decodificar o que foi visto. Na prática, isso mostra um limite clássico da descrição: ela não é só inventário de traços, mas também seleção e entendimento. Sem conhecimento prévio, o observador pode descrever pedaços da realidade e ainda assim errar o todo. Por isso a alternativa correta é a que aponta a falta de conhecimento do observador. Em termos de teoria textual, a descrição depende da observação e da nomeação adequada dos elementos do objeto. Se o observador não domina o referente, a descrição fica fragmentada, ainda que os olhos estejam funcionando perfeitamente.

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