Observe o texto narrativo a seguir. “Devo suspender momentaneamente a narrativa para explicar o título dado a esse romance, algo que já deveria ter sido feito.” Nesse caso, a interrupção da narrativa deve ser classificada como:
- A)interpelação direta ao leitor;
Errada, porque não há uma interpelação direta ao leitor, mas sim um comentário do narrador sobre a própria narrativa.
- B)referência ao já conhecido por autor e leitor;
Errada, pois o trecho não retoma algo já conhecido por autor e leitor; ele interrompe o relato para explicar um aspecto do texto.
- C)utilização de travessões ou parênteses;
Errada, porque travessões ou parênteses são marcas gráficas, e a questão trata da função discursiva da interrupção, não da pontuação.
- D)comentário sobre processos de narração;
Certa, pois o narrador faz um comentário metalinguístico sobre o modo de narrar e sobre o título do romance.
- E)mudança de gênero textual.
Errada, porque não há mudança de gênero textual, apenas uma pausa reflexiva dentro do próprio texto narrativo.
Gabarito: D
A questão explora um recurso muito comum em textos narrativos: a interrupção da história para o narrador comentar a própria narração. Isso acontece quando o texto “para”, por assim dizer, e o narrador fala sobre o que está fazendo, explica uma escolha de título, justifica uma passagem ou chama atenção para o modo de contar. É um gesto bem típico de metanarração, isto é, quando a narrativa olha para si mesma. No trecho dado, o narrador diz que vai suspender momentaneamente a narrativa para explicar o título do romance. Perceba que ele não está contando um fato da trama naquele momento, mas falando sobre o próprio ato de narrar e sobre a organização do texto. Esse tipo de interrupção recebe, portanto, a classificação de comentário sobre processos de narração. A banca costuma cobrar essa ideia com linguagem variada, mas a lógica é sempre a mesma: se o texto comenta a própria construção, o enredo ou a forma de narrar, você está diante de um recurso metalinguístico ou metanarrativo. Em termos doutrinários de teoria literária, isso se aproxima da autorreflexividade do narrador. Por isso o gabarito é D: o trecho não serve para conversar com o leitor, nem para marcar travessões, nem para trocar de gênero textual. O foco está no narrador explicando a própria narrativa, numa pequena pausa em que a história olha para o espelho.