As opções abaixo exemplificam textos narrativos; a opção em que o narrador se mostra como mero observador dos fatos, é:
- A)Aproximei-me da cerca e a atravessei, preocupado com o touro que pastava ali próximo;
Errada, porque o narrador participa diretamente da ação ao dizer “aproximei-me” e “atravessei”.
- B)As nuvens se juntaram no horizonte, o céu tornou-se escuro e, em pouco tempo, a chuva desabou sobre minha cabeça;
Errada, porque há forte marca de 1ª pessoa em “minha cabeça”, indicando narrador-personagem.
- C)O Maracanã ficou cheio, e as torcidas dos dois times pareciam ansiosas pelo início daquela partida decisiva;
Certa, porque a cena é descrita de forma externa, sem participação do narrador nos fatos.
- D)O guarda parou o carro onde eu estava e multou o motorista por excesso de velocidade;
Errada, porque “o carro onde eu estava” mostra que o narrador está dentro da ação narrada.
- E)O professor viu que eu não havia feito o dever de casa e ordenou que eu fosse para fora de sala.
Errada, porque o narrador relata algo que acontece com ele, com presença explícita de “eu”.
Gabarito: C
Em textos narrativos, vale observar quem conta a história. Quando o narrador participa dos fatos, ele fala em 1ª pessoa e costuma mostrar suas ações, sentimentos e percepções. Já quando ele apenas descreve o que vê, sem se colocar como personagem atuante, temos o narrador como mero observador, mais próximo de um narrador-observador ou de terceira pessoa. É aquela postura de quem narra sem “entrar em cena”. Na questão, a pista principal está no foco externo: o trecho apresenta o Maracanã, as torcidas e a ansiedade pelo início da partida, tudo descrito de fora, como se o narrador estivesse olhando a cena. Não há ação do narrador nem sinal de que ele interfere nos acontecimentos. Ele observa e relata, sem virar personagem do enredo. Por isso, o gabarito é a letra C. As demais alternativas trazem marcas claras de narrador-personagem, porque aparecem verbos em 1ª pessoa ou ações diretamente vividas pelo narrador, como “aproximei-me”, “minha cabeça”, “onde eu estava” e “eu fosse”. Em prova, esse detalhe costuma matar a questão rapidinho. Em resumo: narrador observador descreve; narrador personagem vive. Se você viu muito “eu” e “minha”, desconfiou que a câmera saiu do tripé e entrou na história.