“Quando nada parece ajudar, eu vou e olho o cortador de pedras martelando sua rocha talvez cem vezes sem que nem uma só rachadura apareça. No entanto, na centésima primeira martelada, a pedra se abre em duas, e eu sei que não foi aquela que a conseguiu mas todas as outras que vieram antes.” A primeira frase do texto - Quando nada parece ajudar, (...) - mostra uma situação de crise íntima. A lição de vida dada pelo cortador de pedras mostra o valor da
- A)perseverança.
Certa: o texto valoriza insistência e continuidade diante da dificuldade, que é justamente perseverança.
- B)força do trabalho.
Errada: o trecho não destaca produtividade ou técnica de execução, mas resistência diante da demora do resultado.
- C)fidelidade a uma causa.
Errada: não há ideia de compromisso com um ideal específico, e sim de persistir apesar da frustração.
- D)organização nas tarefas.
Errada: o foco não está em método, planejamento ou divisão de etapas, mas em insistir repetidamente.
- E)Inconstância.
Errada: o texto aponta constância e firmeza, não mudança frequente de postura ou desistência.
Gabarito: A
O texto trabalha com uma imagem simples, mas poderosa: a pedra só se abre depois de muitas marteladas. A ideia central não é sorte, nem talento instantâneo, nem milagre de última hora. O foco está em continuar tentando mesmo quando o resultado ainda não aparece. Isso é bem típico de questões de interpretação da FGV: ela gosta de pegar uma metáfora bonita e cobrar a leitura do valor humano por trás dela. Quando o enunciado fala em crise íntima, a resposta emocional é clara: a pessoa olha para um exemplo de resistência para não desistir. O cortador de pedras mostra que o efeito final depende de repetição, constância e resistência diante da frustração. Em outras palavras, não é a batida isolada que resolve, mas o conjunto de tentativas anteriores. Por isso, o gabarito é a alternativa A, perseverança. Perseverar é manter o esforço mesmo sem ver resultado imediato, e o texto inteiro gira exatamente em torno dessa lição. A cena ensina que o sucesso pode vir depois de muitas tentativas invisíveis, o que combina perfeitamente com esse valor. Se você pensar na lógica do trecho, a última martelada parece a heroína da história, mas o texto faz questão de corrigir essa impressão: foi o acúmulo das outras que preparou a abertura da pedra. É uma bela forma de dizer que continuar é muitas vezes mais importante do que acertar de primeira.