Um candidato a cargo político adotou o seguinte slogan na sua campanha: “Ou eu ou o caos!” Esse slogan mostra um problema argumentativo, que é:
- A)incluir uma mensagem negativa na palavra “caos”;
Errada, porque o ponto principal não é a carga negativa da palavra, e sim a falsa oposição criada pela frase.
- B)apelar para a pressão psicológica sobre os eleitores;
Errada, porque o slogan pode até pressionar emocionalmente, mas o problema argumentativo cobrado é outro, mais específico.
- C)atacar grosseiramente seus adversários;
Errada, porque não há ataque grosseiro a adversários nomeados; há uma oposição simplista entre duas ideias.
- D)apresentar uma oposição inválida: eu X caos;
Certa, porque a frase cria uma oposição inválida, como se só existissem duas saídas: o candidato ou o caos.
- E)utilizar uma palavra abstrata, sem exemplos.
Errada, porque o defeito não está em usar uma palavra abstrata, mas em montar uma escolha forçada e falsa.
Gabarito: D
Esse slogan tem um problema clássico de argumentação: ele tenta vender a ideia de que só existem duas saídas, como se o eleitor fosse obrigado a escolher entre duas únicas possibilidades. Em prova, isso costuma aparecer como falsa dicotomia ou falsa oposição. A campanha simplifica demais a realidade e empurra o público para uma escolha forçada. Repare no truque: “Ou eu ou o caos!” cria uma oposição dramática, mas inválida. A mensagem faz parecer que, sem aquele candidato, só restaria desordem total. Só que a vida política, claro, não funciona em preto e branco. Sempre existem outras alternativas, alianças, projetos e caminhos intermediários. Por isso o gabarito é a letra D. O problema não é exatamente ofender adversários, nem usar uma palavra abstrata, nem apenas passar negatividade. O defeito central é lógico: a frase monta uma alternativa falsa, como se “eu” e “caos” fossem as únicas opções possíveis. Em redação e interpretação, isso é importante porque a banca gosta de testar se você percebe quando um discurso tenta convencer mais pela pressão emocional do que pela lógica. Aqui, a força do slogan está no impacto, mas a estrutura argumentativa escorrega feio.