Entre as opções abaixo, aquela em que o aumentativo sublinhado perdeu o valor de aumentativo, designando uma outra realidade, é:
- A)O turista usava um casacão, que chegava aos joelhos.
Errada, porque “casacão” mantém o valor de aumentativo e indica um casaco grande.
- B)O professor não aceitava palavrão em sala de aula.
Certa, porque “palavrão” perdeu o sentido de tamanho e passou a designar uma palavra obscena ou grosseira.
- C)O mendigo devorou um pratão de comida.
Errada, porque “pratão” continua indicando um prato grande, com valor aumentativo literal.
- D)Havia um cadeirão antigo no canto da sala.
Errada, porque “cadeirão” conserva o sentido de cadeira grande, sem mudança de significado.
- E)Um paredão separava os dois pátios de prisioneiros.
Errada, porque “paredão” ainda remete a uma parede grande ou muito extensa.
Gabarito: B
Em morfologia, o aumentativo nem sempre significa apenas “algo grande”. Às vezes, a palavra ganha vida própria e passa a nomear outra realidade, como acontece com alguns termos lexicalizados. Nesse caso, o sufixo aumentativo perde o sentido original e a palavra entra no vocabulário com significado específico. É exatamente o que ocorre em “palavrão”. Aqui, não se trata simplesmente de uma “palavra grande”, mas de um termo que designa um palavrão, isto é, uma palavra grosseira, obscena ou ofensiva. O aumentativo ficou só na forma; o sentido já foi para outro caminho. Nas demais alternativas, o valor aumentativo continua literal: casacão, pratão, cadeirão e paredão indicam, respectivamente, um casaco grande, um prato grande, uma cadeira grande e uma parede grande. Ou seja, o tamanho continua mandando na festa. Por isso, o gabarito é a letra B. Em provas da FGV, é comum essa cobrança de distinção entre aumentativo com valor real e aumentativo lexicalizado, quando a palavra já virou um item do léxico com significado próprio.