Leia o fragmento textual a seguir. “É com alegria que eu me rendo aos apelos de meus concidadãos e venho saudar, no meio deles, as esperanças de emancipação, de ordem e de paz que vão germinar, misturadas às raízes desta árvore da liberdade. A árvore é um belo e verdadeiro símbolo da liberdade! A liberdade tem raízes no coração do povo, como a árvore no coração da terra; como a árvore, ela desenvolve seus ramos no céu; como a árvore, ela cresce sem cessar e cobre as gerações com sua sombra.” (Discurso de Victor Hugo em 1848, no ato de plantar uma árvore). Sobre a estruturação desse pequeno texto, assinale a afirmativa correta.
- A)O autor do discurso apela, inicialmente, para o patriotismo dos ouvintes a fim de que seu discurso seja bem recebido.
Errada, porque o trecho não faz apelo ao patriotismo como estratégia inicial; ele constrói uma imagem simbólica da liberdade.
- B)Todo o discurso se apoia na comparação entre as raízes de uma árvore e as raízes da liberdade.
Errada, porque a comparação não se limita às raízes, mas envolve raízes, ramos, crescimento e sombra como partes de uma mesma metáfora.
- C)O autor, na afirmação de que a liberdade desenvolve seus ramos no céu, quer referir-se à proteção divina dada àqueles que lutam pela liberdade.
Errada, porque o texto não menciona proteção divina; a expressão é figurada e se refere ao desenvolvimento da liberdade.
- D)As afirmações comparativas do autor se fundamentam em valores universalmente admitidos, ainda que em linguagem figurada.
Certa, porque o discurso usa comparações apoiadas em valores amplamente aceitos, como liberdade e paz, em linguagem figurada.
- E)A referência à sombra da árvore, além do papel de proteção, mostra os movimentos ocultos que lutam pela liberdade dos povos.
Errada, porque a sombra da árvore indica amparo e alcance da liberdade, não movimentos ocultos de luta política.
Gabarito: D
Aqui o ponto central é perceber como o texto usa uma comparação para transformar uma ideia abstrata em imagem concreta. Victor Hugo fala da liberdade como se ela fosse uma árvore: ela teria raízes, ramos, crescimento e sombra. Isso é uma metáfora desenvolvida, com linguagem figurada para aproximar o leitor de um valor político e humano muito conhecido. Repare que o discurso não está preso a uma referência local ou a um grupo específico. Ele parte de valores amplamente aceitos e facilmente compartilháveis: liberdade, paz, ordem, esperança, povo, proteção. A força do texto está justamente em apoiar-se em elementos universais para convencer e emocionar, algo muito típico da retórica. Em termos doutrinários, isso é a função poética e argumentativa da linguagem trabalhando juntas. Por isso, a alternativa D é a correta: as comparações se baseiam em valores universalmente admitidos, embora apresentados em linguagem figurada. O autor não está explicando a liberdade de modo técnico, mas construindo um símbolo poderoso e compreensível para qualquer ouvinte. A imagem da árvore funciona como um emblema: raízes no povo, crescimento no céu, sombra para as gerações. As demais alternativas tentam puxar o texto para leituras excessivamente específicas ou inventadas. Em questão de interpretação, a FGV costuma cobrar justamente essa capacidade de perceber o efeito global do texto, sem exagerar no que não foi dito.