A conjunção E apresenta predominantemente o valor de adição, mas pode mostrar ainda o valor adversativo (ou concessivo), consequência ou conclusão, finalidade, valor consecutivo, introduzir uma explicação enfática, iniciar frases de alta intensidade afetiva (= interjeição), facilitar a passagem de uma ideia a outra. A frase abaixo em que ela mostra valor adversativo, equivalente à ideia de oposição, é:
- A)Quando tenho um pouco de dinheiro, compro livros; se sobrar algum, compro roupas e comida;
Errada: o "e" apenas soma ações e elementos, sem oposição entre as ideias.
- B)Existem duas classes de escritores geniais: os que pensam e os que fazem pensar;
Errada: o "e" liga duas caracterizações paralelas, com valor claramente aditivo.
- C)Vocês sabem o que são os críticos? Gente que fracassou na literatura e na arte;
Errada: o "e" coordena dois substantivos/termos equivalentes, sem sentido adversativo.
- D)Clássico é um livro que as pessoas elogiam e não leem;
Certa: há contraste entre elogiar um livro e não lê-lo, então o "e" vale como oposição.
- E)Pinta-se com o coração e a cabeça mais do que com as mãos.
Errada: o "e" une complementos instrumentais/associativos, mantendo ideia de adição.
Gabarito: D
A conjunção "e" costuma somar ideias, mas em português ela é danada de versátil: dependendo do contexto, pode indicar oposição, consequência, explicação, conclusão e até valor enfático. Em prova, a banca adora ver se você percebe o sentido real da frase, e não só a palavrinha isolada. Ou seja: o macete é ler o contexto, porque "e" nem sempre é apenas adição. Quando "e" aparece com valor adversativo, ela funciona quase como "mas", "porém" ou "todavia", criando contraste entre duas ideias. É o que acontece na alternativa D: "Clássico é um livro que as pessoas elogiam e não leem". Há oposição entre elogiar e não ler, ou seja, a segunda parte frustra o esperado pela primeira. O sentido é de contraste, não de soma. Nas demais alternativas, "e" mantém valor aditivo ou apenas encadeia ações/ideias sem oposição. A FGV costuma cobrar exatamente essa leitura contextual: a classificação morfológica isolada não basta, você precisa enxergar a relação semântica entre os termos. Em resumo: a conjunção é pequena, mas a malícia dela em prova é enorme.