“Também leio livros, muitos livros: mas com eles aprendo menos do que com a vida. Apenas um livro me ensinou muito: o dicionário. Oh, o dicionário, adoro-o. Mas também adoro a estrada, um dicionário muito mais maravilhoso.” Depreende-se desse pensamento que seu autor:
- A)nada aprende com os livros, com exceção do dicionário;
Errada: o texto não diz que ele nada aprende com os livros, apenas afirma que aprende menos com eles do que com a vida.
- B)deve tudo que conhece ao dicionário;
Errada: o dicionário é valorizado, mas não aparece como fonte única de tudo o que ele sabe.
- C)adquire conhecimentos com as viagens que realiza;
Errada: a ideia de viagens pode até conversar com a palavra “estrada”, mas o foco é mais amplo, ligado à experiência de vida.
- D)conhece o mundo por meio da experiência de vida;
Certa: o enunciado mostra que o autor valoriza o aprendizado obtido pela vivência e pelo contato direto com o mundo.
- E)constatou que os dicionários registram o melhor da vida.
Errada: o texto não afirma que os dicionários registram o melhor da vida; ele só usa o dicionário como exceção entre os livros.
Gabarito: D
A questão cobra interpretação de texto, isto é, a capacidade de entender a ideia central e não ficar preso a uma palavra isolada. O trecho diz que o autor lê muitos livros, mas aprende menos com eles do que com a vida, e destaca que o dicionário foi o único livro que o ensinou muito. Até aqui, a comparação é clara: a experiência concreta vale mais do que a leitura para a formação dele. Quando ele afirma que também adora a estrada, fica ainda mais evidente o sentido de movimento, contato com o mundo e aprendizado pela vivência. A “estrada” funciona como metáfora da experiência de vida, das viagens, do convívio com a realidade. Em prova da FGV, isso costuma aparecer assim: o candidato precisa captar a inferência global, não fazer leitura literal de uma expressão solta. Por isso, o gabarito é a letra D. O pensamento leva à conclusão de que o autor conhece o mundo por meio da experiência de vida, e não apenas pelos livros. A frase toda organiza uma oposição entre conhecimento livresco e conhecimento vivido, com preferência explícita pelo segundo. Em resumo: livros ajudam, mas a vida ensina mais. E a “estrada” entra como imagem bonita para reforçar exatamente essa ideia.