Leia o julgamento equivocado sobre alguns profissionais médicos, a seguir. “O clínico é aquele sujeito que sabe tudo e não resolve nada. O cirurgião não sabe nada e resolve tudo. O psiquiatra não sabe nada e não resolve nada.” Esse julgamento mostra erro grave, já que apoia sua argumentação em
- A)uma generalização excessiva.
Certa: o texto faz afirmações absolutas sobre categorias profissionais inteiras, caracterizando generalização excessiva.
- B)testemunhos de autoridade.
Errada: não há apelo a especialistas ou citações de autoridade para sustentar a tese.
- C)analogias indevidas.
Errada: o problema não é uma comparação entre coisas de naturezas diferentes, mas a conclusão precipitada sobre grupos inteiros.
- D)um conjunto de opiniões alheias.
Errada: o julgamento não se apoia em um levantamento de opiniões alheias, e sim em estereótipos formulados pelo próprio enunciador.
- E)uma pesquisa não identificada.
Errada: não há referência a estudo, levantamento ou sondagem, identificada ou não; a crítica é sobre a forma da generalização.
Gabarito: A
A questão cobra um vício clássico da argumentação: generalizar demais a partir de poucos casos, ou até de impressões estereotipadas. Quando alguém pega uma profissão inteira e atribui a ela características absolutas, como se todo clínico, todo cirurgião ou todo psiquiatra fosse exatamente assim, a lógica já foi embora de férias. No trecho, o julgamento é construído com fórmulas totalizantes: "sabe tudo", "não resolve nada", "não sabe nada". Esse tipo de frase transforma uma observação parcial em regra universal, sem prova suficiente. Em termos de argumentação, isso é uma generalização excessiva, isto é, uma conclusão ampla tirada de base estreita. A banca FGV costuma cobrar justamente essa percepção: identificar quando o texto parece engraçado ou irônico, mas a estrutura lógica está errada. Aqui, o problema não é falta de opinião, nem uso de autoridade, nem comparação indevida. O defeito está no salto indevido do particular para o geral. Por isso, o gabarito A está correto. O enunciado apoia sua argumentação em estereótipos e absolutizações, não em dados ou análise cuidadosa. Em redação e interpretação, sempre desconfie de frases que falam como se o mundo inteiro coubesse numa etiqueta só.