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Português · FGV · 2022

Questão comentada de Português

“E da minha fidelidade não se deveria duvidar; pois, tendo-a sempre observado, não devo aprender a rompê-la agora; e quem foi fiel e bom por quarenta e três anos, como eu, não deve poder mudar de natureza: da minha fidelidade e da minha bondade é testemunha a minha pobreza.” Nesse pensamento, o autor utiliza os adjetivos “fiel e bom” e, em seguida, os substantivos correspondentes “fidelidade” e “bondade”. A opção abaixo em que os dois adjetivos citados mostram substantivos adequados é:

Gabarito: D

Nesta questão, a banca cobra um ponto clássico de morfologia: a passagem do adjetivo para o substantivo abstrato, isto é, a palavra que nomeia qualidade, estado ou característica. Em geral, isso acontece por derivação sufixal, como em "fiel" -> "fidelidade" e "bom" -> "bondade". O segredo é reconhecer se o substantivo realmente existe e se corresponde ao sentido do adjetivo. A alternativa D é a correta porque "fundo" e "profundo" formam, respectivamente, os substantivos "fundeza" e "profundeza", ambos usados para indicar a qualidade de ser fundo ou profundo. Aqui não há invenção: os derivados existem no padrão da língua, e o par adjetivo-substantivo está semanticamente coerente. As demais alternativas escorregam em um detalhe muito típico de prova: ou trazem um substantivo inexistente, ou trocam o sufixo usual por outro inadequado. A FGV gosta justamente dessa armadilha, porque ela testa vocabulário e formação de palavras ao mesmo tempo, sem depender de regra decorada. Na prática, você precisa pensar: "esse substantivo soa natural em português?". Então, quando aparecer um par de adjetivos seguido de dois substantivos, compare não só o significado, mas também a forma lexical consagrada. Em morfologia, nem tudo que parece bonito existe de verdade na língua. Às vezes a banca cria um termo para ver se você compra a ideia no impulso.

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