Observe a seguinte afirmação: “Em função do grande número de jovens desempregados devemos focalizar a educação no setor técnico, dirigida aos empregos agora existentes ou então não nos preocuparmos mais com a sua educação”. O problema argumentativo desse pensamento é
- A)mostrar uma falsa dicotomia entre focalizar a educação no setor técnico ou abandonar o processo educativo.
Certa, porque o texto apresenta apenas duas opções extremas, como se não existissem outras formas de enfrentar o problema da educação e do desemprego.
- B)fazer uma simplificação exagerada de um problema grave como o desemprego, mostrando uma solução imediata e fácil.
Errada, porque o problema apontado é lógico-argumentativo, não uma crítica à simplificação do desemprego como questão social.
- C)indicar uma solução para um problema sem indicar os meios ou instrumentos de como atingi-la.
Errada, porque o enunciado não cobra ausência de meios, mas sim a estrutura falaciosa da alternativa apresentada.
- D)utilizar um raciocínio absurdo, como o de abandonar completamente a educação dos jovens.
Errada, porque não se trata de um raciocínio absurdo em si, e sim de uma escolha forçada entre dois polos apresentados como únicos.
- E)apelar para a autoridade educacional, que recomenda o ensino técnico como solução para o desemprego.
Errada, porque não há apelo a autoridade educacional no trecho, mas apenas uma tentativa de restringir as possibilidades de solução.
Gabarito: A
A questão cobra um erro clássico de argumentação: a falsa dicotomia. Isso acontece quando o enunciado apresenta apenas duas saídas como se fossem as únicas possíveis, apagando outras alternativas mais razoáveis. Em geral, esse tipo de raciocínio dá uma impressão de urgência e de escolha inevitável, mas é só uma armadilha retórica bem montada. No caso, o pensamento diz: ou a educação deve ser focalizada no setor técnico, para empregos existentes, ou então não devemos mais nos preocupar com a educação dos jovens. Repare como ele empurra você para dois extremos, como se não existisse meio-termo. Só que existem várias outras possibilidades, como ampliar a formação técnica sem abandonar a formação geral, ou adotar políticas públicas para enfrentar o desemprego de modo mais amplo. Por isso, o gabarito é a letra A. O problema não está em defender educação técnica em si, mas em apresentar essa medida como única alternativa diante do desemprego juvenil. A estrutura do argumento cria uma escolha artificial entre duas opções incompletas, o que é exatamente a marca da falsa dicotomia. Em provas da FGV, é comum que a banca misture um tema social sério com uma falha lógica. Então, além de ler o conteúdo, você precisa enxergar a engrenagem do raciocínio. Aqui, a falha não é falta de solução, nem apelo à autoridade, nem absurdo total. É a redução indevida do debate a duas saídas fechadas.