Pelos textos lidos até agora, vemos que o cronista se compraz em empregar a linguagem informal, em segmentos variados. Considerando esses textos, assinale a frase que é integralmente construída em linguagem culta.
- A)Dois amigos meus que leram os três volumes dessa A vida de D. Pedro I, de Octávio Tarquínio de Sousa, disseram que é um livro de que a gente fica com saudades quando acaba....
Errada: a expressão "a gente" e o tom conversado aproximam a frase da linguagem informal.
- B)...vontade de pedir ao historiador a vida de D. Pedro II como quem repete um prato gostoso em um restaurante: “Salta mais um Pedro!”.
Errada: "como quem repete um prato gostoso" e o jogo de fala com "Salta mais um Pedro!" trazem coloquialismo e efeito humorístico.
- C)Quando amanhã alguém quiser escrever a história da vida brasileira deste último quarto de século terá, com certeza, muita dor de cabeça.
Certa: a frase está em registro formal, com sintaxe correta e sem marcas de oralidade ou informalidade.
- D)E o coronel fique na sua varanda, cheia de gaiolas de passarinhos. Ali perto, enjaulados como feras, dois imensos cães dinamarqueses.
Errada: "fique na sua" é expressão claramente coloquial, incompatível com linguagem integralmente culta.
- E)...e os escritos desta época andam tão cheios, ora de inverdades, ora de subentendidos, ora de omissões e enganos, que, entre as linhas e entrelinhas dos documentos, o historiador ficará a coçar o queixo.
Errada: embora bem escrita, há forte marcas estilísticas e expressões figuradas como "coçar o queixo", que quebram a neutralidade culta pedida.
Gabarito: C
A questão pede que voce identifique a frase escrita integralmente em linguagem culta, isto é, com construção gramatical mais formal, sem marcas de oralidade, coloquialismo ou giro expressivo muito conversado. Em textos de cronista, isso aparece bastante misturado: ele pode alternar registro informal e culto, mas a banca quer a frase que não escorrega para expressões do dia a dia. O ponto principal aqui é observar vocabulário, sintaxe e escolha de palavras. Expressões como "a gente", "salta mais um", "fique na sua" ou construções muito imagéticas e coloquiais denunciam linguagem menos formal. Já a linguagem culta tende a manter estrutura mais neutra, articulada e compatível com norma-padrão, sem apelo oral nem brincadeira estilística excessiva. A alternativa C é a correta porque apresenta construção limpa e formal: "Quando amanhã alguém quiser escrever... terá, com certeza, muita dor de cabeça." A frase está bem encaixada sintaticamente, usa vocabulário adequado ao registro culto e não traz marcas de informalidade. Mesmo a expressão "muita dor de cabeça" é perfeitamente aceitável como locução idiomática já consolidada, sem comprometer o nível de língua. As demais opções misturam coloquialidade ou forte efeito expressivo, o que afasta a integralidade da linguagem culta. Em prova da FGV, esse tipo de item costuma cobrar justamente a diferença entre norma-padrão e um texto que apenas parece elegante, mas ainda carrega marcas de fala cotidiana.