Observe o seguinte texto: “Entre as cordas do ringue, o pugilista é como o prisioneiro entre as paredes da cela: durante esse encarceramento ele sofre um castigo que lhe deixará marcas irreversíveis”. Sobre esse fragmento de texto, a afirmação INADEQUADA à estruturação do texto é:
- A)os dois termos que se comparam no texto são o pugilista e o prisioneiro;
Correta, porque o texto compara diretamente o pugilista ao prisioneiro.
- B)o pugilista representa o mundo real, enquanto o mundo figurado é representado pelo prisioneiro;
Incorreta, porque o fragmento não opõe mundo real e mundo figurado dessa forma; há uma comparação entre duas imagens concretas.
- C)a função da comparação, nesse caso, é a de tornar concreta uma ideia abstrata;
Incorreta, porque a comparação não está convertendo uma ideia abstrata em algo concreto, mas aproximando duas cenas concretas para produzir efeito expressivo.
- D)o fator de comparação entre os elementos comparados é o pequeno espaço que ocupam;
Correta, porque o pequeno espaço de confinamento é o ponto comum que sustenta a comparação entre ringue e cela.
- E)o termo que estabelece formalmente a comparação entre elementos é a conjunção como.
Correta, porque a conjunção "como" é o elemento formal que introduz a comparação.
Gabarito: C
A questão explora comparação, uma figura de linguagem bem amiga das provas da FGV. Aqui, o autor aproxima duas situações: o pugilista no ringue e o prisioneiro na cela. Repare que a comparação vem explícita, com o termo "como", então não há mistério: o texto está dizendo que uma cena ajuda a entender a outra. O ponto principal é perceber o elemento comum entre as imagens: ambas passam ideia de restrição, confinamento e sofrimento. O ringue aparece quase como uma prisão, e essa semelhança é o que sustenta a comparação. Em questões assim, a banca gosta de testar se você identifica o que está sendo comparado e qual é a base dessa semelhança. O gabarito é a letra C porque a afirmação fala em "tornar concreta uma ideia abstrata", mas o fragmento não trabalha com uma ideia abstrata principal. Ele compara duas cenas concretas, visualizáveis, para criar efeito expressivo e reforçar a sensação de aprisionamento. Ou seja, a comparação serve para iluminar a imagem, não para transformar uma abstração em algo palpável. Em resumo: compare as imagens, ache o ponto em comum e não caia na armadilha de chamar de abstrato aquilo que o texto desenha de forma bem concreta. A FGV adora esse tipo de detalhe fino, com cara de simples e alma de pegadinha.