Nosso grande escritor Machado de Assis escreveu em uma de suas crônicas: “Creio em poucas coisas, e uma das que entram no meu credo é a justiça, tanto a do céu como a da terra, assim a pública como a particular”. Considerando os componentes desse pensamento, podemos afirmar que:
- A)a afirmação mais importante do pensamento é a de que Machado crê integralmente na justiça.
Certa, porque resume corretamente a ideia central do trecho: Machado afirma sua crença na justiça de forma ampla e plena.
- B)os argumentos que defendem a afirmação inicial são “tanto a do céu como a da terra, assim a pública como a particular”.
Errada, porque essa expressão não traz os argumentos da afirmação inicial, mas apenas detalha as formas de justiça mencionadas.
- C)a afirmação inicial do texto é fruto dos inúmeros estudos do autor na área jurídica.
Errada, porque o texto não relaciona a fala de Machado a estudos jurídicos, e isso foi uma inferência sem base no enunciado.
- D)a declaração de que a justiça entra no seu credo, mostra o caráter religioso da afirmação feita.
Errada, porque mencionar o “céu” não transforma a frase em declaração religiosa; trata-se de ampliação do conceito de justiça.
- E)a expressão “tanto a do céu como a da terra” tem valor comparativo entre esses dois tipos de justiça.
Errada, porque a expressão não indica comparação entre dois tipos de justiça, mas enumeração de esferas em que a justiça se manifesta.
Gabarito: A
A questão trabalha leitura atenta do texto e identificação da relação entre tese e explicação. Quando Machado diz: “Creio em poucas coisas, e uma das que entram no meu credo é a justiça...”, ele está fazendo uma afirmação central e, em seguida, ampliando o sentido dela com exemplos. Ou seja, a ideia principal é a crença na justiça, e as expressões seguintes servem para mostrar a extensão dessa crença, não para criar outra tese. Perceba que “tanto a do céu como a da terra, assim a pública como a particular” funciona como enumeração explicativa. Machado está dizendo que sua crença na justiça vale em todas as esferas: divina e humana, coletiva e individual. A banca quer ver se você entende que essas expressões não contradizem nem trocam a ideia inicial, apenas a reforçam. Por isso, o gabarito é a letra A: a frase revela que Machado confere grande valor à justiça, de modo amplo e integral. Não é preciso inventar estudo jurídico, nem transformar a passagem em argumento religioso. Em interpretação, o segredo é simples: ler o que foi dito e não colocar enfeite onde o texto não colocou. Como regra de leitura textual, a conclusão deve respeitar o encadeamento lógico do enunciado. Aqui, o núcleo é a valorização plena da justiça, e o restante só detalha esse núcleo.