A frase abaixo cuja estruturação apela para a polissemia de um vocábulo, é:
- A)O sábio lê livros, mas também a vida;
Certa, porque o verbo “ler” aparece com dois sentidos: ler livros de forma literal e “ler a vida” no sentido de interpretá-la.
- B)Jornalismo consiste em comprar papel branco a dois centavos e vendê-lo a dez;
Errada, porque a frase usa metáfora e ironia sobre o jornalismo, mas não explora a polissemia de um mesmo vocábulo.
- C)Bebendo-se um pouco de vinho, a inteligência aparece;
Errada, porque há valor causal na construção, sem jogo claro de sentidos múltiplos de uma mesma palavra.
- D)Quanto mais dividimos os obstáculos, mais fácil é vencê-los;
Errada, porque a frase apresenta sentido figurado em “dividir os obstáculos”, mas não um vocábulo empregado em dois sentidos.
- E)Champanhe: borbulhas espumantes, brancas como as pérolas de Cleópatra.
Errada, porque há descrição poética e comparação, mas não a duplicidade semântica típica da polissemia.
Gabarito: A
A questão explora a polissemia, isto é, o uso de uma mesma palavra com mais de um sentido no mesmo enunciado. Em provas da FGV, isso costuma aparecer quando a frase ganha graça ou força expressiva justamente porque um vocábulo “vira de lado” e passa a significar outra coisa, sem deixar de ser a mesma forma escrita. Na alternativa correta, a palavra-chave é “ler”. Primeiro, ela aparece no sentido comum, literal: ler livros. Depois, vem em “ler a vida”, que já não é leitura de papel, mas de interpretação, experiência e observação do mundo. É o mesmo verbo, mas com dois sentidos diferentes, e isso é exatamente o que caracteriza a polissemia. Perceba a elegância da frase: o sábio não se limita ao livro, ele também “lê” a realidade. A estrutura brinca com essa duplicidade de sentido e cria um efeito expressivo. Em português de concurso, quando a banca pergunta por polissemia, ela quer que você identifique esse deslizamento semântico dentro de uma mesma palavra. As demais alternativas não fazem isso com a mesma força. Elas trazem metáfora, generalização, comparação ou linguagem sentenciosa, mas não exploram de modo claro dois sentidos de um mesmo vocábulo. Ou seja: têm efeito de estilo, mas não o truque semântico pedido pela questão.