Considerando que as premissas de um raciocínio podem ser fatos, julgamentos, testemunhos de autoridade ou exemplos, a opção em que a premissa deve ser classificada como julgamento é:
- A)Como o estudo da Prefeitura comprovou o perigo de morar nessa encosta, devemos fazer a transferência dos moradores;
Errada, porque a premissa se baseia em um estudo da Prefeitura, ou seja, em um dado apresentado como fato ou informação técnica.
- B)Como o Ibope mostrou a vitória do candidato X, é perda de tempo votar em Y;
Errada, porque a premissa se apoia em pesquisa de opinião do Ibope, funcionando como testemunho de autoridade/informação factual.
- C)Muitos acidentes ocorrem nesse cruzamento, por isso é urgente o conserto do sinal de trânsito;
Errada, porque a frase parte de um fato observável, muitos acidentes no cruzamento, usado como base para a conclusão.
- D)É mais interessante fazer turismo no Nordeste que na Europa, pois devemos ser mais patriotas em nossos gastos;
Certa, porque a premissa expressa um juízo de valor subjetivo, ao dizer que devemos ser mais patriotas nos gastos.
- E)Pedro não se deu bem na prova do concurso, por isso devemos estudar muito mais.
Errada, porque a premissa usa um exemplo pessoal, o insucesso de Pedro, para defender a conclusão.
Gabarito: D
Em argumentação, a premissa pode vir como fato, julgamento, testemunho de autoridade ou exemplo. Fato é algo verificável, como dado concreto ou acontecimento. Julgamento é uma avaliação subjetiva, uma opinião de valor, muitas vezes marcada por expressões como "melhor", "pior", "mais interessante", "deve", "convém" e afins. A FGV gosta de misturar opinião com aparência de lógica. A frase pode até soar convincente, mas o que importa é a natureza da premissa. Se a base do raciocínio depende de preferência, valor moral ou escolha pessoal, estamos diante de julgamento, não de fato. É o tipo de argumento que veste terno, mas continua sendo opinião. Na alternativa D, a premissa é "devemos ser mais patriotas em nossos gastos". Isso não é dado objetivo nem prova empírica: é uma avaliação normativa, isto é, um juízo de valor sobre o que seria mais adequado ou desejável. O raciocínio se apoia nessa apreciação subjetiva para concluir que é mais interessante fazer turismo no Nordeste do que na Europa. Por isso, o gabarito é D. As demais alternativas trazem fatos ou apelos a autoridade/testemunho, enquanto aqui há claramente um julgamento, que é exatamente o que a questão pede.