Observe o seguinte diálogo de valor argumentativo: “– O homenageado fez um discurso fantástico sobre as injustiças sociais. – Ah, sim, o sujeito que já foi preso por tráfico!” Nessa situação, a segunda frase se utiliza do seguinte processo argumentativo:
- A)revelar dados novos para o debate;
Errada, porque a fala não traz informação nova para enriquecer o debate, mas sim um dado usado para desqualificar a pessoa.
- B)desviar o assunto;
Errada, porque não há desvio de assunto; a resposta continua girando em torno do homenageado, só que de forma ofensiva.
- C)atacar a pessoa do homenageado;
Certa, porque a frase ataca a pessoa do homenageado, tentando diminuir sua credibilidade por um fato pessoal negativo.
- D)dizer algo que nega a afirmação anterior;
Errada, porque a segunda frase não contradiz diretamente a afirmação anterior; ela não diz que o discurso foi ruim ou falso.
- E)indicar um exemplo de autoridade.
Errada, porque não há citação de autoridade nem uso de exemplo prestigioso para sustentar a tese.
Gabarito: C
Neste tipo de questão, a banca quer que voce identifique a estratégia argumentativa usada na resposta. Nem sempre a réplica discute diretamente a frase anterior; às vezes ela tenta diminuir a credibilidade de quem falou. Quando isso acontece, sai de cena o argumento sobre o conteúdo e entra o foco sobre a pessoa que o apresentou. No diálogo, a primeira fala elogia o discurso do homenageado. A segunda resposta, porém, puxa um dado negativo da vida dele, dizendo que ele já foi preso por tráfico. Repare: o objetivo não é mostrar que o discurso foi ruim em si, mas contaminar a imagem de quem o fez. Isso é um ataque à pessoa, também chamado de ataque ad hominem. Em termos de teoria da argumentação, esse recurso é considerado falacioso quando substitui a análise do argumento pelo ataque ao orador. A ideia é simples: em vez de discutir o que foi dito, tenta-se enfraquecer quem disse. É um atalho retórico bem conhecido em provas da FGV. Por isso, o gabarito é a letra C. A segunda frase usa um dado pessoal para desqualificar o homenageado e enfraquecer a avaliação positiva do discurso, sem refutar diretamente o conteúdo da fala anterior.