Observe o seguinte silogismo: “Todos os cientistas são meio amalucados / Meu irmão é amalucado / Meu irmão é cientista.” Evidentemente, a conclusão desse raciocínio é falsa; o problema desse silogismo é que
- A)a primeira premissa é falsa.
Errada, porque mesmo que a primeira premissa fosse discutível, o defeito central está na inferência final, não na veracidade da premissa maior.
- B)a segunda premissa mostra ambiguidade; a segunda premissa mostra ambiguidade.
Errada, pois não há ambiguidade relevante na segunda premissa; o problema é lógico, não semântico.
- C)a conclusão não deriva das premissas.
Certa, porque a conclusão de que o irmão é cientista não é consequência necessária das premissas dadas.
- D)o posicionamento dos termos está errado.
Errada, já que o problema não é a ordem dos termos, mas a falta de conexão lógica válida entre as proposições.
- E)a segunda premissa está desconectada da primeira.
Errada, porque a segunda premissa não está desconectada da primeira em termos de tema; ela só não sustenta a conclusão.
Gabarito: C
Este silogismo falha porque ele tenta concluir algo que não está garantido pelas premissas. A estrutura correta de um raciocínio dedutivo exige que a conclusão seja uma consequência necessária do que foi afirmado antes. Aqui, dizer que "todos os cientistas são meio amalucados" e que "meu irmão é amalucado" não autoriza, por si só, concluir que ele é cientista. Perceba a armadilha: o fato de alguém ser amalucado não o transforma automaticamente em cientista. A premissa maior fala de um conjunto de pessoas que são cientistas e, por isso, meio amalucados, mas a premissa menor apenas coloca o irmão dentro de um atributo parecido. Faltou a ponte lógica entre ser amalucado e pertencer ao grupo dos cientistas. Em termos de lógica, há um erro clássico de inferência, muito próximo de uma conclusão que não decorre das premissas. É como montar um quebra-cabeça com peças de caixas diferentes e tentar fingir que encaixa. No silogismo, a conclusão precisa ser derivada das premissas de modo válido, e isso não aconteceu. Por isso, o gabarito é a letra C: a conclusão não deriva das premissas. Em outras palavras, o problema não está em "ter opinião" sobre os cientistas, mas em fazer um salto lógico indevido, típico de raciocínio inválido.