Observe o seguinte texto descritivo: “Estamos na cabine de um jato DC-10, parado na cabeceira da pista do Aeroporto do Galeão. Fechados como caracóis dentro de uma concha revestida por dezenas, centenas de mostradores, luzes e botões, enxergamos a noite lá fora, com as luzes de balizamento da pista iluminando até o infinito”. A estratégia de construir essa descrição
- A)parte do geral para o particular.
Errada, porque o texto não organiza a cena do geral para o particular, e sim faz um deslocamento espacial do interior para o exterior.
- B)vai do que está distante ao que está perto.
Errada, porque não há movimento principal do distante para o próximo; o foco inicial está no espaço mais próximo e fechado da cabine.
- C)sai do espaço fechado para o espaço aberto.
Certa, porque a descrição sai do ambiente interno e encerrado da cabine para o espaço aberto da pista e da noite.
- D)parte do particular para o geral.
Errada, porque a descrição não começa no particular para chegar ao geral; ela não segue esse eixo de ampliação conceitual.
- E)vai do alto para baixo.
Errada, porque não há predominância de organização vertical, de cima para baixo, no trecho apresentado.
Gabarito: C
A questão cobra a lógica da descrição, isto é, a ordem em que o texto vai apresentando o cenário ao leitor. Em textos descritivos, o autor pode organizar os elementos de várias formas: do geral para o particular, do próximo para o distante, de cima para baixo, de fora para dentro etc. Aqui, a imagem começa com a cabine do jato, um espaço fechado e interno, e depois abre o olhar para a noite lá fora e para as luzes da pista. Perceba a “câmera” do texto: primeiro ela está dentro da aeronave, cercada por mostradores, luzes e botões, como se o leitor estivesse espremido junto com os pilotos. Depois, essa visão se projeta para o exterior, alcançando a pista e, por fim, a sensação de infinito. É um movimento bem claro do espaço fechado para o espaço aberto. Por isso, o gabarito é a alternativa C. A descrição não começa pelo ambiente externo nem faz uma organização de cima para baixo; ela parte do interior da cabine e se expande para fora, criando contraste entre o confinamento e a amplidão da noite iluminada. Em prova de interpretação, a FGV costuma cobrar esse tipo de percurso do olhar no texto, então vale pensar: “de onde a imagem começa e para onde ela vai?”. Se você identifica essa direção, mata a questão sem sofrimento.