Numa reunião de departamento, um professor mostrou os péssimos resultados de seus alunos no primeiro semestre para demonstrar a falência do ensino universitário. Essa argumentação do professor mostra um problema, que é
- A)um círculo vicioso, pois a primeira e a segunda parte do raciocínio mostram o mesmo significado.
Errada, porque não há repetição do mesmo raciocínio com o mesmo significado, e sim uma passagem indevida de um caso específico para uma conclusão geral.
- B)uma falsa relação de causa e efeito, pois a primeira parte indica uma causa não verdadeira para a conclusão.
Errada, porque o problema não é atribuir uma causa falsa, mas sim tirar uma conclusão ampla demais a partir de um exemplo limitado.
- C)um estereótipo, pois hoje se consideram os alunos universitários como símbolos da incompetência.
Errada, porque o texto não trata de estereótipo social sobre universitários, e sim de um raciocínio falho na construção da conclusão.
- D)uma falsa analogia, já que os elementos comparados são diferentes em um ponto essencial.
Errada, porque não se trata de comparação entre elementos parecidos mas diferentes em um ponto essencial, e sim de uma inferência indevida.
- E)uma generalização excessiva, pois fez uma dedução para um todo (o ensino universitário), que pode ser injusta.
Certa, porque o professor usa um resultado parcial para concluir algo sobre todo o ensino universitário, o que caracteriza generalização excessiva.
Gabarito: E
A questão cobra um erro clássico de argumentação: pegar um caso particular e transformá-lo, sem cuidado, em conclusão sobre um conjunto inteiro. Aqui, o professor observou o mau desempenho de alguns alunos no primeiro semestre e, a partir disso, decretou a falência do ensino universitário. Isso é um salto lógico grande demais. Perceba que um dado isolado pode até chamar atenção, mas não autoriza uma sentença tão ampla. Pode haver várias explicações para o resultado ruim: turma específica, disciplina difícil, método de estudo, momento de adaptação, avaliação pontual etc. Em prova, sempre desconfie quando alguém sai de um exemplo limitado para um juízo totalizante. Por isso, o problema é de generalização excessiva: a conclusão alcança o todo (o ensino universitário) sem base suficiente no recorte apresentado. É aquele raciocínio de “vi um pedaço ruim, então tudo está ruim”, que costuma derrubar muita gente em interpretação e argumentação. A FGV gosta bastante desse tipo de leitura lógica do texto, em que você identifica se a conclusão realmente decorre das premissas ou se houve exagero na passagem do particular para o geral. Aqui, a conclusão é mais forte do que os dados permitem, então o gabarito correto é a alternativa E.