Em muitas situações comunicativas, podemos fazer perguntas em orações com verbos ou em orações sem verbo (orações nominais) com o mesmo significado. A opção em que as duas formas abaixo mostram significados diferentes é:
- A)Qual a utilidade do martelo? / Para que serve o martelo?
Errada, porque "qual a utilidade" e "para que serve" exprimem a mesma ideia de finalidade ou uso.
- B)Qual o seu endereço? / Onde o senhor reside?
Errada, porque ambas as formas perguntam o local de residência do interlocutor.
- C)Qual o trajeto do ônibus? / Por onde passa o ônibus?
Errada, porque as duas perguntas se referem ao trajeto ou percurso do ônibus.
- D)Qual a finalidade da viagem? / Para que o senhor viaja?
Errada, porque as duas formulações perguntam sobre a finalidade da viagem.
- E)Qual o seu nome? / Como o senhor se identifica?
Certa, porque "qual o seu nome" e "como o senhor se identifica" não têm exatamente o mesmo sentido.
Gabarito: E
A questão trabalha com equivalência de sentido entre perguntas feitas com verbo e perguntas nominais, isto é, sem verbo expresso. Muitas vezes isso acontece sem mudança real de significado, como em "Qual a utilidade...?" e "Para que serve...?". A banca quer que você perceba quando essa equivalência cai por terra, porque a pergunta verbal e a nominal passam a cobrar coisas diferentes. Em regra, perguntas como "qual o endereço?" e "onde reside?", ou "qual o trajeto?" e "por onde passa?", mantêm a mesma ideia central: local, percurso, finalidade, identificação. A forma muda, mas o foco comunicativo continua o mesmo. É aquela velha troca de roupa da frase: muda o formato, mas a intenção fica igual. Na alternativa E, porém, acontece a diferença: "Qual o seu nome?" pede o nome civil, a designação da pessoa; já "Como o senhor se identifica?" pode se referir à forma de apresentação, à identificação pessoal em contexto social ou administrativo, inclusive por documentos ou por outros elementos de identificação. Ou seja, não são perguntas equivalentes com o mesmo conteúdo semântico. A FGV gosta muito dessa sutileza de valor referencial e pragmático da pergunta. Não há aqui um fundamento legal específico, porque o tema é de interpretação semântica e pragmática da língua. O ponto é perceber a função comunicativa de cada estrutura: quando a pergunta nominal e a verbal não miram exatamente o mesmo dado, a equivalência quebra. Por isso, o gabarito é E.