“O médico contempla o homem em toda a sua fraqueza; o advogado, em toda a sua maldade; e o sacerdote, em toda a sua estupidez.” Schopenhauer Sobre a estruturação e o significado desse pensamento, assinale a observação inadequada.
- A)Há certo paralelismo na construção das orações.
Certa: há paralelismo entre os trechos, com estrutura sintática semelhante em cada segmento.
- B)As vírgulas mostram que uma forma verbal foi omitida.
Certa: as vírgulas e os pontos e vírgulas indicam a omissão de uma forma verbal já subentendida.
- C)Fraqueza, maldade e estupidez são defeitos morais do homem.
Errada: o texto não trata fraqueza, maldade e estupidez como defeitos morais equivalentes do homem.
- D)A conjunção e mostra valor de adição.
Certa: a conjunção "e" tem valor aditivo, somando a última observação às anteriores.
- E)As formas do possessivo sua se referem ao homem.
Certa: "sua" retoma "o homem", funcionando como possessivo de referência anafórica.
Gabarito: C
A frase de Schopenhauer trabalha com uma estrutura bem organizada, quase em forma de lista: "o médico contempla...; o advogado...; e o sacerdote...". Isso cria paralelismo, ou seja, construções parecidas para dar ritmo e reforçar a ideia central. As vírgulas e os pontos e vírgulas ajudam a separar os termos e também deixam subentendida uma repetição verbal, algo como "contempla" em cada trecho, sem precisar escrever tudo de novo. Repare também que "sua" retoma "o homem", indicando posse ou referência ao mesmo ser citado antes. E a conjunção "e" soma os três quadros apresentados, acrescentando a terceira observação à sequência anterior. O problema da alternativa C é que ela exagera o sentido do pensamento. Schopenhauer não está dizendo que fraqueza, maldade e estupidez sejam todas "defeitos morais" do homem. "Maldade" pode ter esse valor moral, mas "fraqueza" e "estupidez" não entram, necessariamente, nessa categoria. A frase joga com tipos de aspectos humanos observados por diferentes figuras, não com uma classificação moral fechada. Por isso, a observação inadequada é a da letra C: ela distorce o alcance semântico do enunciado e transforma uma crítica filosófica em uma leitura moral simplificada demais.