A conjunção MAS aparece em muitas frases portuguesas, indicando uma contradição entre o conteúdo da primeira afirmação e o da segunda. A frase abaixo em que essa conjunção tem valor diferente é:
- A)Tem muito dinheiro, mas é muito infeliz;
Correta para o padrão pedido, porque "mas" liga duas ideias em contraste: ter dinheiro não impede a infelicidade.
- B)O filme é bom, mas um pouco chato;
Correta para o padrão pedido, pois há oposição entre "bom" e "um pouco chato", mantendo o valor adversativo.
- C)O time jogou bem, mas perdeu
Correta para o padrão pedido, já que "jogou bem" contrasta com "perdeu", criando quebra de expectativa.
- D)Ficou triste, mas quem não ficaria...;
É a diferente, porque o "mas" não opõe duas informações de modo direto; ele introduz uma pergunta retórica com tom de justificativa.
- E)A prova estava fácil, mas obtive nota ruim.
Correta para o padrão pedido, porque a frase contrapõe a facilidade da prova ao resultado ruim.
Gabarito: D
A conjunção "mas" costuma ser apresentada, no básico, como adversativa: ela liga duas ideias em oposição, contraste ou quebra de expectativa. É o caso de frases como "ele estudou, mas foi mal" ou "era bom, mas caro". Nelas, a segunda parte vem para contrariar, limitar ou frustrar o que a primeira sugeria. Só que "mas" nem sempre fica preso a essa oposição bem certinha. Em certos contextos, ele pode ganhar valor de ressalva, reforço ou até introduzir uma ideia mais explicativa, dependendo do efeito de sentido da frase. Em prova, a banca adora exatamente isso: cobrar o valor contextual, e não apenas a etiqueta decorada da gramática. Na alternativa D, "Ficou triste, mas quem não ficaria...", o "mas" não põe duas afirmações em choque direto. Pelo contrário: a segunda parte vem em forma de pergunta retórica, que funciona quase como justificativa do sentimento. A ideia é algo como: "ficou triste, e isso é compreensível". Ou seja, o "mas" aí não marca uma contradição verdadeira, por isso é a opção diferente. As demais alternativas mantêm o valor clássico de oposição: dinheiro x infelicidade, bom x chato, jogou bem x perdeu, prova fácil x nota ruim. Em resumo: quando o "mas" opõe, ele é adversativo; quando ele aparece num enunciado com tom de comentário justificativo ou de pergunta retórica, o sentido muda, e é isso que derruba muita gente.