Todas as frases abaixo mostram uma forma sublinhada, composta de não + verbo; substituindo essa forma por um só verbo, de sentido equivalente, a opção INADEQUADA, é:
- A)Chamamos de complexo aquilo que não sabemos / ignoramos, desconhecemos;
Certa: "não sabemos" pode ser expresso por "ignoramos" ou "desconhecemos", que mantêm o mesmo sentido.
- B)Não erramos em ter opiniões firmes. Errado é não ter nada além disso / acertamos;
Certa: a ideia central de oposição é preservada, pois "não ter nada além disso" contrasta com "acertamos" no enunciado.
- C)Costureira decente não perde a linha / mantém;
Certa: "não perde a linha" corresponde a "mantém" a postura ou o controle.
- D)No jogo de ontem, o melhor time não venceu a partida / perdeu;
Errada: "não venceu" não é sinônimo exato de "perdeu", porque também pode indicar empate.
- E)Não permitiram que os ucranianos saíssem da capital / impediram.
Certa: "não permitiram" equivale diretamente a "impediram".
Gabarito: D
A questão explora um truque comum de semântica com morfologia: nem sempre "não + verbo" vira um verbo com o sentido exato de oposição. Às vezes a negação só tira a afirmação do caminho, mas não entrega, sozinha, qual foi o resultado positivo. Por isso, você precisa olhar o contexto antes de trocar a expressão por um verbo único. Nas alternativas A, B, C e E, a substituição funciona bem: "não sabemos" vira "ignoramos" ou "desconhecemos"; "não ter nada além disso" pode ser expresso por "acertamos" no sentido de que o problema não era opinar, e sim só isso; "não perde a linha" equivale a "mantém" a postura; e "não permitiram" casa direitinho com "impediram". Tudo certo, sem susto. A letra D é a inadequada porque "não venceu a partida" não significa necessariamente "perdeu". Pode ter havido empate, por exemplo. Ou seja, o verbo "perdeu" é mais específico do que a negação dada no enunciado. A banca FGV gosta exatamente desse tipo de armadilha: trocar uma negação ampla por um verbo que estreita demais o sentido. Em resumo: quando aparecer "não + verbo", confira se o verbo substituto cobre todas as possibilidades do contexto. Se ele for forte demais, como em D, a equivalência cai. É o tipo de detalhe que separa a leitura apressada da leitura de concurso.