Todas as frases abaixo, retiradas de diversos discursos parlamentares, foram modificadas pelo serviço de revisão; assinale a única frase inadvertidamente alterada.
- A)“Visível alguma vez, latente em muitas, em todo o ser humano há uma fera” / na revisão: todo ser humano.
Errada: a simplificação para "todo ser humano" não compromete a correção gramatical da frase.
- B)“É momento de toda a bancada reinvindicar melhores condições de trabalho” / na revisão: reivindicar.
Certa: "reivindicar" é a grafia correta, e a revisão corrigiu o erro ortográfico de "reinvindicar".
- C)“A criança, como o homem, e o homem, como a criança, prefere divertir-se do que instruir-se” / na revisão: a.
Certa: na correção normativa, o paralelismo pede "prefere divertir-se a instruir-se", e não "do que".
- D)“Sabemos onde vamos e de onde viemos. Entre duas obscuridades, um relâmpago” / na revisão: aonde.
Certa: com ideia de movimento, o adequado é "aonde vamos"; "onde" fica para permanência.
- E)“O projeto solicitado, fá-lo-ei amanhã sem falta / na revisão: fazê-lo-ei.
Errada: "fá-lo-ei" é a forma correta com mesóclise no futuro do presente; a revisão deformou a construção.
Gabarito: E
Esta questão cobra um ponto clássico de revisão gramatical: a colocação pronominal, especialmente com verbos no futuro do presente. Quando o verbo está no futuro, a norma-padrão admite a mesóclise, isto é, o pronome entra no meio da forma verbal, como em "far-lhe-ei", "dir-se-á" e, no caso da frase, "fá-lo-ei". Esse é o formato consagrado na gramática normativa, como registram gramáticas tradicionais de Bechara e Cegalla. O detalhe importante é que a revisão alterou a forma correta para uma forma inadequada. "Fá-lo-ei" é a construção certa: verbo "fazer" no futuro do presente + pronome oblíquo "o". Ao trocar para "fazê-lo-ei", o revisor mexeu na estrutura do verbo e criou uma forma que não corresponde à flexão padrão esperada nesse contexto. As demais alternativas trazem correções aceitáveis: ortografia de "reivindicar", regência em "a instruir-se", e a diferença entre "onde" e "aonde". Já aqui não houve melhora, houve escorregão da revisão. Em prova da FGV, isso costuma aparecer como caça ao detalhe: a frase parece elegante, mas a norma foi abandonada no caminho. Então, o gabarito é a letra E porque a forma original, com mesóclise, estava correta, e a versão revista é que ficou errada.