Assinale a frase em que há problema de norma culta em função da confusão entre “todo-a” / “todo o - toda a”.
- A)Toda alegria é uma vitória, e uma vitória é uma vitória, por menor que seja.
Correta, pois "toda alegria" tem valor generalizante e a frase nao apresenta confusao entre "todo" e "todo o".
- B)Quem não sabe chorar de todo o coração também não sabe rir.
Correta, porque "de todo o coração" e locucao consagrada pela norma culta, sem erro de emprego de artigo.
- C)Ele chorou todo o dia após receber a notícia trágica.
Correta, já que "todo o dia" indica o dia inteiro e esta de acordo com a norma culta.
- D)Todo trabalho ficou manchado do vinho derramado.
Errada, pois ha confusao no uso de "todo" sem o artigo quando o sentido exigiria a ideia de totalidade, que pede a forma com "o".
- E)Toda tristeza deve ser afastada de nossa vida.
Correta, porque "toda tristeza" usa "toda" com valor de generalizacao e nao há problema normativo.
Gabarito: D
A confusao aqui e entre os usos de "todo/toda" como artigo e como pronome/adjetivo, e isso muda o sentido da frase. Quando voce quer dizer "inteiro, completo", normalmente aparece a forma invariavel ligada ao substantivo masculino singular: "todo o dia", "todo o coração", "todo o trabalho". Ja "toda" pode funcionar como pronome, com valor de generalizacao: "toda tristeza", "toda alegria". A questao cobra um detalhe classico de norma culta muito explorado por bancas: "todo" + artigo definido costuma indicar integralidade, enquanto "todo" sem artigo pode ter sentido distributivo ou indefinido. Por isso, se a ideia e de algo inteiro, voce precisa observar se cabe o artigo: "todo o dia" e diferente de "todo dia". O problema da alternativa correta e que a frase mistura a estrutura de modo inadequado: "todo trabalho" passa a ideia de "qualquer trabalho" ou "cada trabalho", mas a forma esperada, se a intencao for indicar totalidade, seria "todo o trabalho". Em provas, esse tipo de erro aparece justamente para testar se voce percebe a presenca ou ausencia do artigo. Em resumo: "todo/a" nao e enfeite, e uma pequena palavra que muda a sintaxe e o sentido. A norma culta distingue o uso distributivo do uso de totalidade, como registram as gramaticas normativas de Celso Cunha e Lindley Cintra e as descricoes tradicionais de Bechara.