“Estranha uma gentil leitora que em tempos de agitação política escreva eu sobre coisas antigas e vagas ou subjetivas, e em vez de falar de cassações e eleições divague sobre mariposas, malacachetas, brisa do mar.” (Da importância dos cristãos-novos, 12/11/1966) O que essa leitora critica no cronista Rubem Braga é
- A)a permanência de traços poéticos nas suas crônicas.
Errada: o texto não critica a poesia da crônica, mas o afastamento do cronista em relação à política do momento.
- B)a ausência de crônicas mais polêmicas.
Errada: a leitora não pede mais polêmica, e sim mais atenção aos fatos políticos concretos, como cassações e eleições.
- C)o distanciamento em relação à história do país.
Errada: a ideia não é apenas distanciamento genérico da história do país, mas uma postura de alheamento diante dos problemas do tempo presente.
- D)a sua alienação dos problemas de seu tempo.
Certa: a crítica é que Rubem Braga estaria se afastando dos problemas de seu tempo e preferindo assuntos leves e subjetivos.
- E)a inadequação de seus textos em relação à modernidade.
Errada: o enunciado não fala em inadequação à modernidade, e sim em falta de engajamento com a conjuntura política.
Gabarito: D
A questão explora interpretação de texto e a leitura do ponto de vista do enunciador. Quando a leitora estranha que, em meio a um momento de tensão política, Rubem Braga escreva sobre mariposas, brisa do mar e outras coisas aparentemente leves, ela está cobrando dele uma postura mais engajada com os fatos do tempo. Em outras palavras, a crítica não é ao estilo literário em si, mas ao fato de o cronista parecer virar o rosto para os problemas concretos do país. Ele prefere a crônica sensível, subjetiva e poética, enquanto a leitora queria ver ali cassações e eleições, isto é, a política em estado bruto. Por isso, o gabarito é a letra D: ela o acusa de estar alienado dos problemas do seu tempo. Aqui, alienação não significa falta de inteligência, mas afastamento, descompasso com a realidade histórica e social que estava batendo à porta. Na leitura da FGV, vale muito ficar atento ao verbo, ao contraste e ao tom de reprovação do enunciado. A frase mostra que o incômodo da leitora é exatamente a fuga do cronista para temas vagos e antigos, em vez de enfrentar a agitação política do presente.