Certos textos provocam riso, tristeza, exaltação, emoções... Tais textos mostram um tom, isto é, características que provocam um estado afetivo particular. Entre os pensamentos abaixo, aquele que mostra um tom irônico é:
- A)Quando eu era pobre, chamavam-me louco; agora que sou rico, sou excêntrico;
Correta: há contraste crítico entre os rótulos dados ao falante em momentos diferentes, revelando ironia.
- B)Cuidado com os inimigos, pois são os primeiros a descobrir seus enganos;
Errada: traz uma advertência direta, sem contraste irônico ou sentido implícito de crítica.
- C)Eu não sou rico. Eu sou um pobre homem com dinheiro, o que não é a mesma coisa;
Errada: a frase é mais afirmativa e definidora do que irônica, sem inversão de sentido.
- D)Estranhos são apenas amigos que a gente ainda não conhece;
Errada: apresenta uma ideia conciliadora e literal, sem sarcasmo ou crítica implícita.
- E)Um irmão é um amigo dado pela natureza.
Errada: é um enunciado afetuoso e metafórico, próprio de definição positiva, não de ironia.
Gabarito: A
Em textos curtos, o tom aparece pela escolha das palavras, pelo contraste entre o que se diz e o que se quer sugerir, e até pelo jeito de “cutucar” uma ideia comum. A ironia surge justamente quando há uma aparência de elogio, neutralidade ou aceitação, mas o sentido real aponta para o contrário, muitas vezes com crítica ou sarcasmo leve. Em prova, vale prestar atenção em frases que brincam com a mudança de status, com contradições ou com a inversão de valores. Na alternativa A, o autor diz que, quando era pobre, o chamavam de louco, e agora, rico, o chamam de excêntrico. Perceba o contraste engraçado e crítico: a pessoa continua sendo vista de forma diferente, mas a mudança está mais no rótulo social do que nela mesma. Isso revela ironia, porque a frase expõe a superficialidade com que as pessoas julgam alguém conforme sua condição econômica. As demais alternativas têm tom mais literal, sentencioso ou afetuoso. Não há nelas essa oposição entre aparência e sentido que faz o leitor perceber uma crítica disfarçada. Em questões de interpretação, a banca costuma explorar justamente essa diferença entre o que a frase diz na superfície e o que ela realmente sugere. Se quiser um resumo prático: ironia é quando a frase parece caminhar numa direção, mas o sentido verdadeiro vira na curva. Aqui, a curva está no contraste entre “pobre = louco” e “rico = excêntrico”, mostrando uma crítica bem-humorada aos rótulos sociais.