“É melhor ser pouco inteligente com temor do que rico em prudência, mas transgressor da lei.” Nessa frase, a conjunção MAS indica oposição; a frase abaixo em que essa mesma conjunção indica adição é:
- A)Os covardes duram mais, mas vivem menos;
Errada, porque o "mas" marca contraste entre durar mais e viver menos, mantendo valor adversativo.
- B)As coisas não mudam, mas nós mudamos;
Errada, porque há oposição clara entre as coisas não mudarem e nós mudarmos.
- C)Os tabus são feitos para serem quebrados, mas nem todos fazem isso;
Errada, porque o "mas" contrapõe a regra geral ao fato de nem todos agirem assim.
- D)Mudam de corpo, mas não de alma;
Errada, porque o "mas" opõe mudança de corpo e permanência de alma.
- E)O universo é a mudança, mas a vida é o que o pensamento faz dessa mudança.
Certa, porque o "mas" soma uma segunda ideia à primeira, com valor aditivo, funcionando como complemento da reflexão.
Gabarito: E
A conjunção "mas" é famosa por marcar oposição: uma ideia contrasta com a outra. Só que, em certos contextos, ela pode perder esse valor de choque e funcionar como somadora de informações, quase como um "e também" ou "além disso". Em prova, a banca gosta muito de testar esse uso semântico, porque a palavra continua sendo a mesma, mas o sentido muda conforme o contexto. Na frase do enunciado, "mas" opõe "ser pouco inteligente com temor" a "ser rico em prudência, mas transgressor da lei", trazendo contraste entre qualidades morais. Já na alternativa E, a segunda oração não nega a primeira nem cria contraste forte; ela acrescenta uma reflexão sobre a mudança e completa a ideia anterior. O "mas" aí funciona como encadeamento de sentido, com valor aditivo, aproximando-se de "e". Por isso a questão exige atenção ao valor semântico da conjunção, e não só ao nome da classe gramatical. A FGV adora esse tipo de detalhe: a mesma conjunção pode ter leitura adversativa, aditiva ou até explicativa, dependendo da relação lógica entre as orações. O segredo é perguntar: a segunda parte contradiz, soma ou explica a primeira? No caso da alternativa E, a frase não cria ruptura entre as duas partes; ela acrescenta uma segunda formulação que amplia a ideia do universo e da vida. É exatamente esse movimento de adição discursiva que a banca quer captar.