Assinale a frase abaixo que não se apoia, como as demais, num ditado popular.
- A)Mais valem duas abelhas voando do que duas na mão.
A frase adapta, com humor, um provérbio popular sobre dar valor ao que está garantido em vez do que é incerto.
- B)Todo homem tem seu preço e, alguns, até dão desconto.
A sentença brinca com a ideia popular de que interesses materiais pesam mais do que princípios, em tom de máxima conhecida.
- C)Nos negócios não existem amigos, apenas fregueses.
A frase retoma uma visão proverbial sobre negócios e relações humanas, típica de ditados de tom cético.
- D)Não há segurança nessa terra, apenas oportunidades.
Esta é a única que não vem de ditado popular, mas de criação autoral com aparência de aforismo.
- E)A ocasião não só faz o ladrão como, também, os grandes homens.
A frase reproduz a estrutura e o sentido de um ditado muito conhecido sobre a ocasião influenciar atitudes e feitos.
Gabarito: D
A questão explora uma leitura bem comum em prova da FGV: identificar quando a frase se apoia em um ditado popular, provérbio ou máxima conhecida, ainda que venha com humor ou adaptação. Essas expressões costumam condensar uma ideia moral ou prática já cristalizada no uso da língua, muitas vezes com a estrutura típica de sabedoria popular. Nas alternativas A, C e E, isso aparece claramente. A frase brinca com o provérbio sobre valorizar algo certo e imediato em vez de algo incerto; C ecoa a visão cínica de que relações comerciais se sobrepõem à amizade; E retoma quase literalmente o ditado clássico sobre a ocasião favorecer atitudes menos nobres e até feitos admirados. B também segue essa lógica: pega a ideia popular de que tudo tem um preço e transforma em trocadilho. Já a letra D não se apoia em ditado popular. Ela é uma formulação autoral, com tom de comentário sobre a vida, mas sem remeter a um provérbio conhecido da tradição da língua. O segredo aqui é perceber a origem da frase: se ela soa como sabedoria pronta de boca em boca, há grande chance de ser ditado; se parece criação livre, ainda que engenhosa, não é. Em provas de interpretação, vale esse radar: ditado popular costuma ter forma fixa, circulação social ampla e sentido geral conhecido. A banca gosta de cobrar essa diferença entre expressão consagrada e frase inventiva, muitas vezes com humor ou paródia.