“Quando se julga por indução e sem o necessário conhecimento dos fatos, às vezes chega-se a ser injusto até mesmo com os malfeitores.” O raciocínio abaixo que deve ser considerado como indutivo é:
- A)Os funcionários públicos folgam amanhã, por isso meu marido ficará em casa;
Errada, porque a frase expressa uma relação de causa ou consequência entre a folga dos funcionários e a permanência do marido em casa, sem inferência indutiva.
- B)Todos os juízes procuram julgar corretamente, por isso é o que ele também procura;
Errada, porque há uma generalização normativa sobre juízes, mas a frase não parte de observação concreta para concluir algo provável.
- C)Nos dias de semana os mercados abrem, por isso deixarei para comprar isso amanhã;
Errada, porque a ideia é de planejamento baseado em costume ou hábito, e não de conclusão indutiva a partir de um fato observado.
- D)No inverno, chove todos os dias, por isso vou comprar um guarda-chuva;
Errada, porque a afirmação usa uma generalização fixa sobre o inverno, aproximando-se mais de uma regra do que de uma indução propriamente dita.
- E)Ontem nevou bastante, por isso as estradas devem estar intransitáveis.
Certa, porque parte de um fato observado no passado e conclui, de modo provável, que as estradas podem estar intransitáveis.
Gabarito: E
Raciocínio indutivo é aquele em que você parte de um fato observado, de um caso concreto ou de uma experiência anterior, e daí tira uma conclusão provável para outra situação. Não é uma verdade absoluta, mas uma aposta bem fundamentada. Em prova, a banca costuma testar se você percebe essa passagem do particular para uma conclusão plausível, como quem olha para a pista e já imagina o resto do caminho. Perceba que, na indução, a conclusão não vem com garantia total, ela vem com forte plausibilidade. Por isso, expressões como "deve", "provavelmente" e "tende a" aparecem com frequência. Isso é bem diferente de um raciocínio dedutivo, que tenta fazer a conclusão sair necessariamente das premissas. Na alternativa correta, houve uma observação concreta do passado: "Ontem nevou bastante". A partir desse fato, o enunciado conclui algo que é provável, não certo: "as estradas devem estar intransitáveis". Ou seja, a pessoa usa uma experiência anterior para inferir um efeito possível no presente. Esse salto do caso observado para a expectativa é o coração da indução. As demais alternativas têm outros tipos de relação lógica, como causalidade, generalização apressada ou simples previsão prática, mas não estruturam tão bem o movimento indutivo exigido pela questão. Em suma: você viu um fato, tirou uma conclusão provável. Isso é indução, sem mágica e sem chute cego.