“A questão é saber se essa adaptação cinematográfica mostra qualidades estéticas; meu parecer sobre esse tema é que esse filme marcará a história do cinema”. No texto acima, há a manifestação de uma opinião por parte do enunciador; indique a estratégia empregada na manifestação dessa opinião:
- A)apresentação de uma opinião própria, mas revestindo-a de uma aparência geral;
Errada, porque não há revestimento de generalidade: o enunciador assume a opinião como pessoal ao dizer "meu parecer".
- B)declaração de uma opinião alheia, confrontando-a com outro ponto de vista;
Errada, porque o trecho não declara opinião alheia nem contrapõe dois pontos de vista; há só a manifestação do próprio locutor.
- C)confrontação de diversas opiniões, mesmo que algumas estejam implícitas;
Errada, porque não ocorre confronto entre diversas opiniões, explícitas ou implícitas, mas apenas a voz do enunciador.
- D)indicação de uma opinião própria, reivindicando claramente a paternidade da ideia;
Certa, porque o enunciador apresenta uma opinião própria e deixa clara a autoria ao usar marcas como "meu parecer".
- E)comentário de uma opinião apresentada como própria.
Errada, porque o comentário não é de uma opinião apresentada como própria por outro; a ideia é assumida diretamente pelo locutor.
Gabarito: D
A questão cobra como o enunciador organiza a própria opinião no texto. Em Português de prova, isso costuma aparecer por marcas de envolvimento pessoal, como "meu parecer", "eu acho", "na minha opinião". Quando o falante assume a ideia como sua, ele não está disfarçando a autoria: está colocando a assinatura na frase, sem medo de ser feliz. No trecho, isso fica muito claro em "meu parecer sobre esse tema". A expressão deixa explícito que a avaliação é pessoal e pertence ao enunciador. Depois, ele completa com "esse filme marcará a história do cinema", que é o juízo de valor defendido por ele. Não há distanciamento, citação indireta, nem tentativa de fingir neutralidade. Por isso, o gabarito é a letra D: o texto indica uma opinião própria e ainda reivindica claramente a paternidade da ideia. Em termos de análise discursiva, o locutor se responsabiliza pelo que diz, marcando subjetividade de forma direta. É aquele caso clássico em que a frase já vem com crachá de dono. A FGV gosta muito de perceber se você distingue opinião assumida de opinião apenas relatada. Aqui, a fala não apenas apresenta um ponto de vista, mas o faz com marca explícita de autoria, o que afasta as alternativas que falam em confronto de vozes ou aparência de generalidade.