Em todas as opções abaixo mostram-se duas frases independentes, com termos repetidos; para evitar a repetição, elas foram unidas por meio de um pronome relativo. Assinale a frase em que essa modificação foi feita de forma adequada.
- A)Li o novo livro de Eduardo Gianetti / Comprei o novo livro de Eduardo Gianetti na nova livraria do bairro --- Li o novo livro de Eduardo Gianetti, cujo foi comprado na nova livraria do bairro.
Errada, porque "cujo" não pode ser seguido de artigo nem usado como "cujo foi comprado"; além disso, a relação de posse entre as duas partes foi construída de forma inadequada.
- B)Estudei durante dois anos em Madrid / Em Madrid aprendi bastante --- Estudei durante dois anos em Madrid, aonde aprendi bastante.
Errada, porque "aonde" só deve ser usado com ideia de destino, e aqui a relação é de permanência em um lugar, o que pediria outro relativo.
- C)Comprei um carro novo na agência Oxford / O preço do carro foi baixo --- Comprei, na agência Oxford, um carro novo cujo preço foi baixo.
Certa, porque "cujo" expressa corretamente a relação de posse entre "carro" e "preço", com concordância adequada e sem artigo após o relativo.
- D)Gostei muito da salada / Os legumes da salada são frescos --- Gostei muito de salada onde os legumes são frescos.
Errada, porque "onde" retoma lugar, e aqui a ligação correta entre "salada" e "legumes" não é de localização, mas de composição/pertencimento.
- E)Encontrei Maria e João / Maria é minha amiga --- Encontrei Maria e João, que é minha amiga.
Errada, porque "que" retoma apenas um antecedente, mas a frase mistura Maria e João e depois concorda no singular, criando erro de referência e concordância.
Gabarito: C
A ideia da questão é simples: quando duas frases têm termos repetidos, voce pode juntá-las com um pronome relativo, mas precisa escolher o pronome certo e manter a regência. Em português, isso costuma derrubar muita gente porque a frase até parece elegante, mas a ligação entre as partes fica gramaticalmente torta. No caso da alternativa correta, a estrutura foi bem montada: "Comprei, na agência Oxford, um carro novo cujo preço foi baixo." Aqui, "cujo" indica posse ou relação de pertencimento e liga "carro" a "preço". Ele concorda com o termo seguinte, "preço", e não admite artigo logo depois, então a construção fica correta e evita repetição de "o preço do carro". Esse é o ponto de ouro: "cujo" substitui algo como "de que", "do qual", "da qual", mas sempre com valor possessivo e com cuidado na sintaxe. Já "aonde" serve para ideia de destino, com verbos de movimento ou no sentido de "para onde". "Onde" indica lugar. "Que" e "quem" também têm usos próprios, mas não funcionam de qualquer jeito só para enfeitar a frase. Ou seja, a banca quer que você perceba a relação lógica entre os termos. Na opção correta, a união das frases respeita a norma-padrão e a função do pronome relativo, sem repetir desnecessariamente e sem quebrar a gramática.