Imaginemos a situação de um cliente que diz ao médico: Hoje me levantei pálido, com febre e com enjoo. Sobre essa situação comunicativa, assinale a afirmativa correta.
- A)As palavras do cliente possuem valor figurado e, por elas, o médico pode identificar a enfermidade.
Errada, porque não há valor figurado relevante nas palavras do cliente; ele descreve sintomas de forma direta, não faz metáfora.
- B)O cliente não soube expressar suas queixas de forma adequada, tornando impossível a identificação da doença.
Errada, porque a fala é perfeitamente compreensível e fornece pistas suficientes para a suspeita clínica, mesmo sem fechar o diagnóstico.
- C)As palavras ditas pelo cliente indicam implicitamente a sua enfermidade.
Errada, porque os sintomas foram ditos de maneira explícita, não apenas sugeridos de modo implícito.
- D)O médico pode interpretar literalmente as palavras do cliente e também como indícios de enfermidade.
Certa, porque as palavras podem ser entendidas literalmente e, ao mesmo tempo, funcionar como indícios da enfermidade.
- E)As palavras do cliente em nada auxiliam o médico na identificação do mal que o ataca.
Errada, porque a informação dada pelo cliente ajuda sim o médico a identificar e investigar o mal que o ataca.
Gabarito: D
Nesta questão, a chave está em perceber que a fala do cliente não precisa ser uma descrição técnica da doença para ser útil ao médico. Em comunicação, uma frase pode ter sentido literal e, ao mesmo tempo, funcionar como um conjunto de pistas para interpretação clínica. Ou seja, quando o cliente diz que acordou pálido, com febre e enjoo, ele está relatando sintomas de modo direto, e isso ajuda o médico a suspeitar de um quadro enfermidade compatível. A banca trabalha a ideia de que a linguagem, em situações reais, não é só enfeite nem poesia: ela serve para informar, orientar e permitir inferências. No exemplo, as palavras podem ser lidas literalmente, porque os sintomas foram declarados de forma explícita, mas também funcionam como indícios para o diagnóstico. O médico não precisa ouvir o nome da doença para começar a investigá-la. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela é a única que entende bem a situação comunicativa: o médico pode interpretar as palavras do cliente no sentido direto e, ao mesmo tempo, usá-las como sinais da enfermidade. Em termos práticos, é a diferença entre o paciente dizer "estou com febre e enjoo" e já trazer uma pista clínica importante, mesmo sem dar o nome da moléstia. A moral da questão é simples: em prova de interpretação, nem tudo é literal ou figurado em bloco. Às vezes, a frase é literal, mas gera inferência. E a FGV adora exatamente esse jogo fino entre o que foi dito e o que pode ser concluído.