Todas as frases abaixo foram reescritas de forma a eliminar-se o advérbio “não”, mantendo-se o sentido original. Assinale a frase em que isso foi feito de forma inadequada.
- A)Homem absurdo é aquele que não muda / Homem absurdo é aquele que permanece sempre o mesmo.
Correta: "não muda" foi bem substituído por "permanece sempre o mesmo", sem perda de sentido.
- B)O homem livre é aquele que não tem medo de ir até o fim de seu pensamento / O homem livre é aquele que tem coragem de ir até o fim de seu pensamento.
Correta: "não tem medo" e "tem coragem" mantêm a mesma ideia central.
- C)A felicidade é uma flor que não é preciso colher / A felicidade é uma flor que é desnecessário colher.
Correta: "não é preciso" corresponde adequadamente a "é desnecessário".
- D)Não se pode falar mal senão das coisas que se conhecem bem / Só se pode falar mal das coisas que se conhecem bem.
Correta: a reescrita conserva a restrição lógica expressa pelo original, apesar da inversão de ordem.
- E)A felicidade é como as neblinas ligeiras: quando estamos dentro dela, não a vemos / A felicidade é como as neblinas ligeiras: quando estamos dentro dela, ela é ignorada.
Errada: "ela é ignorada" altera a estrutura e não preserva com fidelidade o sentido de "não a vemos".
Gabarito: E
A questão trabalha reescrita por equivalência de sentido: tirar o "não" e trocar por uma expressão afirmativa que mantenha a mesma ideia. Em provas assim, o segredo é não olhar só para a gramática, mas para o conteúdo semântico. Se a frase muda de tom, de foco ou de responsabilidade da ação, já nasce um problema. Em A, "não muda" vira "permanece sempre o mesmo", o que preserva bem o sentido. Em B, "não tem medo" foi convertido em "tem coragem", também com equivalência natural. Em C, "não é preciso" virou "é desnecessário", mantendo a ideia de dispensabilidade. A alternativa problemática é a E. O original diz que, quando estamos dentro da felicidade, nós não a percebemos. Já a reescrita "ela é ignorada" altera a construção e também o sentido: parece dizer que a felicidade é ignorada por alguém, como se houvesse um agente externo praticando a ação. Além disso, o enunciado pede apenas retirar o "não" sem deformar a frase, e aqui a mudança ficou semanticamente torta. Em D, a passagem para "Só se pode falar mal das coisas que se conhecem bem" preserva a ideia lógica de restrição, ainda que com inversão da ordem. Portanto, o ponto cobrado é equivalência semântica, algo muito comum em questões da FGV, que adora testar se você percebe quando a frase ficou bonita, mas sem a mesma roupa de antes.