“Empresa não é família. Aliás, não conheço nenhuma família que corte 20% dos membros quando entre em crise. Família divide o bife, põe mais água no feijão e não demite os filhos.” A ideia básica defendida nesse texto é a de que
- A)não se devem empregar parentes em uma empresa.
Errada, porque o texto não fala sobre evitar parentes na empresa, mas sobre a diferença entre lógica empresarial e lógica familiar.
- B)as famílias são mais fraternas que as empresas.
Errada, porque a comparação não quer provar que a família seja mais fraterna; ela só contrapõe formas diferentes de relação.
- C)as famílias e as empresas têm relações diferentes entre seus componentes.
Certa, porque o texto opõe a dinâmica afetiva da família à dinâmica econômica da empresa.
- D)as empresas familiares são mais humanas que aquelas que se fundamentam somente em relações econômicas.
Errada, porque o texto não trata especificamente de empresas familiares nem faz essa comparação de humanidade entre modelos de empresa.
- E)as empresas capitalistas mostram crueldade no tratamento de seus funcionários.
Errada, porque o texto não generaliza as empresas capitalistas como cruéis; ele usa um exemplo para destacar a diferença de funcionamento.
Gabarito: C
A questão trabalha a interpretação de uma comparação simples, mas bem provocativa: a empresa não funciona como uma família. O texto brinca com a ideia de que, em momentos de crise, a lógica empresarial costuma ser a da redução de custos e do corte de pessoal, enquanto a família tende a agir pela solidariedade e pela proteção entre seus წევ. No fundo, o autor quer mostrar que os vínculos e os objetivos são diferentes em cada ambiente. Perceba que a frase não está discutindo se empresa deve ser boa ou má, nem se família é melhor. Ela está destacando que a relação entre pessoas na empresa é guiada por critérios econômicos e organizacionais, enquanto na família predomina o laço afetivo e de cuidado. Isso é o coração da interpretação. Por isso, o gabarito é a letra C: as famílias e as empresas têm relações diferentes entre seus componentes. A ideia básica do texto é justamente contrastar esses dois tipos de vínculo, e não dizer que um é mais fraterno, mais humano ou mais cruel do que o outro. Em prova da FGV, vale ficar atento a esse tipo de armadilha: ela costuma usar um texto curto, com humor ou ironia, e depois oferecer alternativas que exageram a mensagem. O segredo é separar a opinião literal daquilo que o texto realmente afirma.