Entre as opções abaixo, assinale aquela em que o diminutivo destacado perdeu o valor de diminutivo, designando uma outra realidade.
- A)O menino olhou para a garotinha que estava a seu lado e sorriu.
Errada, porque "garotinha" mantém o valor normal de diminutivo, indicando uma menina pequena ou o tom afetivo da expressão.
- B)O padre procurou na folhinha qual era o santo do dia.
Certa, porque "folhinha" perdeu o sentido de diminutivo e passou a designar o calendário do santo do dia, uma realidade específica.
- C)O aluno tirou o livrinho que estava dentro de sua pasta.
Errada, porque "livrinho" ainda expressa diminutivo de "livro", com ideia de tamanho menor ou valor afetivo.
- D)Os meninos menores brincavam com carrinhos.
Errada, porque "carrinhos" é apenas o diminutivo plural de "carros", sem perda do valor diminutivo.
- E)Era difícil ler a letrinha na parte de baixo do cartaz.
Errada, porque "letrinha" conserva o sentido de letra pequena, usado para indicar tamanho reduzido ou dificuldade de leitura.
Gabarito: B
Em português, o diminutivo pode ter dois usos: o valor verdadeiro de tamanho/pouca quantidade e o valor lexicalizado, quando a palavra já virou nome de outra coisa. É o caso clássico de expressões do dia a dia em que o diminutivo já não significa "pequeno", mas um objeto ou realidade específica. Às vezes a palavra até conserva a forma diminutiva, mas o sentido já fez as malas e foi embora. Na questão, isso acontece com "folhinha". O padre não está procurando uma folha pequena, e sim o calendário do santo do dia, muito comum no uso popular. Ou seja, a palavra designa outra realidade, com sentido próprio, já cristalizado no uso da língua. As demais alternativas mantêm o sentido diminutivo de fato: "garotinha", "livrinho", "carrinhos" e "letrinha" indicam, respectivamente, tamanho reduzido, carinho ou forma menor daquilo que se nomeia. Nelas, o diminutivo continua trabalhando normalmente, sem mudar de identidade. Em provas, a FGV gosta desse tipo de pegadinha semântica: você precisa perceber quando o diminutivo é real e quando virou nome de uso corrente. Não há um artigo de lei para isso, claro, mas a gramática normativa registra esse fenômeno como lexicalização ou cristalização semântica do diminutivo.