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Português · FGV · 2022

Questão comentada de Português

Em uma de suas crônicas, Rubem Braga tece os seguintes comentários sobre o padre Feijó, figura importante de nossa história: “...quanta mediocridade, quanta incoerência! Não era homem excepcional nem pela inteligência nem pela cultura. Não teve, diante dos problemas do Brasil, nenhuma visão mais larga nem penetrante; não nos legou, nem mesmo aos homens do Segundo Império, nenhuma ideia mais alta ou mais justa para levar adiante. Teimoso e limitado, tinha dois ou três projetos que defendeu até a velhice, e nenhum deles de maior mérito”. Temos aqui o exemplo de um argumento ad hominem, ou seja, uma argumentação crítica contra uma pessoa. O tipo de argumento ad hominem que é adequado ao texto de Rubem Braga é aquele que:

Gabarito: C

Aqui o ponto central é perceber que nem todo ataque à pessoa é igual. O argumento ad hominem, em sentido amplo, é aquele que tenta enfraquecer uma ideia ou posição atacando quem a defende, em vez de responder ao conteúdo do argumento. Em provas, a FGV gosta de cobrar essa diferença fina entre criticar a tese e criticar a pessoa por algum defeito, incoerência ou característica pessoal. No trecho, Rubem Braga não discute só se o padre Feijó estava certo ou errado em alguma proposta. Ele pinta o personagem como medíocre, incoerente, teimoso e limitado, isto é, usa traços negativos do próprio indivíduo para desqualificá-lo. Esse é o ad hominem que mira diretamente a pessoa, e não a consistência lógica da tese. Por isso, o gabarito é a letra C: ela descreve exatamente a estratégia de não atacar a ideia em si, mas se prender a marcas negativas da pessoa que a formula. Em termos didáticos, é o famoso "não gosto da ideia porque quem a diz é ruim". A argumentação fica personalista, e não propriamente racional sobre o mérito da proposta. Só para não confundir: isso é diferente de apontar contradição lógica interna do discurso, ou de cobrar incoerência entre discurso e prática. A FGV adora essa casca de banana, então vale guardar a regra de ouro: se o foco é a pessoa, pense em ad hominem; se o foco é a estrutura do argumento, pense em incoerência lógica.

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