Os textos informativos preocupam-se em dar credibilidade ao que informam, atribuindo o valor de certeza ao que veiculam. Assinale a opção em que não há nenhum termo que reduza esse tom de precisão absoluta.
- A)Segundo alguns, dinheiro não traz felicidade, mas é certo que afasta a infelicidade para bem longe.
Errada, porque “Segundo alguns” relativiza a afirmação e “é certo que” convive com essa fonte imprecisa, enfraquecendo a precisão absoluta.
- B)O novo governo americano talvez traga mais tranquilidade econômica aos EUA.
Errada, porque “talvez” indica possibilidade, não certeza.
- C)O controle da poluição ambiental poderia produzir mais riqueza no futuro do planeta.
Errada, porque “poderia” expressa hipótese, e não afirmação segura.
- D)Como o governador é muito amigo do prefeito, possivelmente devem fazer muitas parcerias.
Errada, porque “possivelmente” e “devem” introduzem dúvida e probabilidade.
- E)Millôr Fernandes afirmou que devagar se vai ao longe, mas quando se chega lá não se encontra mais ninguém.
Certa, porque não há termo que atenue a afirmação; a frase apenas registra uma citação atribuída a Millôr Fernandes.
Gabarito: E
A questão explora um detalhe clássico da interpretação de textos informativos: a diferença entre afirmar algo com tom de certeza e enfraquecer essa certeza com expressões de dúvida, probabilidade ou opinião alheia. Palavras como “talvez”, “poderia”, “possivelmente”, “segundo alguns” e “devem” tiram a força absoluta do enunciado, porque deixam espaço para incerteza. Em prova da FGV, vale ficar atento a isso: a banca gosta de ver se você percebe o que suaviza a afirmação. Quando o enunciado pede a alternativa em que não há nenhum termo que reduza o tom de precisão absoluta, você deve procurar a frase mais “seca”, mais afirmativa, sem marcas de hesitação, hipótese ou fonte externa relativizando o conteúdo. É como se a frase estivesse dizendo: “é assim e pronto”, sem pedir licença ao leitor. Na alternativa E, a frase traz uma citação atribuída a Millôr Fernandes: “afirmou que...”. Isso não reduz o valor de certeza da informação interna da citação, porque a construção apenas apresenta uma fala atribuída a alguém. Não aparecem advérbios ou verbos modalizadores que enfraqueçam o enunciado, como acontece nas demais opções. Por isso, é a única que preserva o tom de precisão absoluta exigido pela questão. Em resumo: a FGV quer que você identifique marcas de atenuação da certeza. Se a frase estiver cheia de “talvez”, “poderia” ou “possivelmente”, ela perde força. Se estiver só afirmando, sem esse tempero de dúvida, aí você matou a charada.